Bem, último post das férias dedicado à minha amiguinha Bruna do blog
Psiconema, que se propõe a discutir o cinema e a estética da sétima arte como espaço de reflexão psicológica. O Psiconema nasceu já na última semana de aulas do semestre, com posts maravilhosos sobre filmes que abordam distúrbios psicológicos e temas bem espinhosos como suicídio infantil (o tocante documentário
"Boy Interrupted", dirigido por Dona Perry para a HBO) e vida manicomial (
"A Casa dos Mortos", documentário da antropóloga e documentarista brasileira Debora Diniz). Apesar dos temas difíceis, o texto da Bruna é leve e nos faz querer assistir aos filmes, além do nos "obrigar" a refletir sobre essas situações. Passa lá pra conferir, vale a pena!
Já aguardando as novas aventuras do Psiconema e a segunda edição do nosso projeto de cinema na universidade, uma sugestão: Bruna, quando vamos ver o novo Lars Von Trier (your favorite!) que estréia hj nos cinemas (
"Melancolia", 2010)?? Tô louca pra ver, deve ser interessante.
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Cenas de "Midnight in Paris", by Woody Allen |
Resolvi postar sobre alguns filmes que vi nessas férias e que além de me proporcionarem bons momentos de diversão, trouxeram alguma reflexão, o lindo e onírico
"Meia Noite em Paris", de Woody Allen (em sua melhor forma!!) e o oscarizado
"O Discurso do Rei", de Tom Hopper, que eu ainda não tinha assistido. Mas não esperem grandes reflexões psicológicas a respeito dos temas tratados, porque essa é a praia da Bruna! Só vou dar a minha opinião de espectadora mesmo, sem intenção de fazer crítica cinematográfica...
"Meia Noite em Paris", o último filme do genial Woody Allen, tem sido aclamado pela crítica especializada como o melhor filme desse diretor nos últimos tempos, trazendo de volta a temática, a nostalgia e o clima de sonho de grandes sucessos do autor como "A Rosa Púrpura do Cairo" e "Neblina e Sombras", além de ser uma "continuação" da série dedicada a grandes cidades iniciada com "Vicky Cristina Barcelona", de 2008.
O filme conta a história de Gil (Owen Wilson), o evidente "alter ego" do diretor, um jovem escritor americano insatisfeito com sua vida de roteirista em Hollywood, que tem um fascínio por Paris, principalmente a Paris dos anos 20. Ele vai à França com sua noiva tipicamente americana (a chatinha mas linda Rachel MacAdams) e lá vive uma aventura inusitada e fascinante. O filme aborda, entre outros temas, a insatisfação amorosa, a frustração e a fuga a um universo de fantasia e sonho como alternativa para lidar com a realidade. Tudo isso com belíssimas imagens da Cidade Luz, que nos dão vontade de pegar o primeiro avião para a França! E uma trilha sonora impecável, com direito a clássicos de Cole Porter (quem o personagem encontra em Paris!) e a deliciosa
"Let's do It (Let's Fall in Love). Saí do cinema com essa música na minha cabeça, e me acompanhou por vários dias!! Ah, e tem ainda a cereja do bolo, a participação especial da primeira dama francesa, a lindíssima Carla Bruni, como uma guia de museu. O filme é um passeio pela cultura (literatura, pintura, música) dos anos 20, com direito a uma caricatura hilária de Salvador Dalí e uma "palhinha" de grandes artistas como Hemingway, Gertrude Stein, Scott Fitzgerald, Picasso, Monet e outros, de um lirismo e beleza incomparáveis... Recomendo! Para ler uma crítica especializada, clica
aqui e
aqui.
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Cartaz de lançamento de "O Discurso do Rei" |
Já
"O Discurso do Rei", filme inglês de 2010 que levou o Oscar de melhor filme do ano, entre outros, é um filme mais "sério", mas muito interessante, que aborda a relação entre paciente e terapeuta (transferência) ao contar a história real do encontro do futuro rei da Inglaterra, GeorgeVI (no início do filme apenas Bertie, o Duque de York) e seu terapeuta Lionel Logue (interpretado brilhantemente por Geoffrey Rush). Desde os 4 anos, George (Colin Firth) é gago. Este é um sério problema
para um integrante da realiza britânica, que frequentemente precisa
fazer discursos. George procurou diversos médicos, mas nenhum deles
trouxe resultados eficazes. Quando sua esposa, Elizabeth (Helena Bonham
Carter), o leva até Lionel Logue (Geoffrey Rush), um terapeuta de fala
de método pouco convencional, George está desesperançoso. Lionel se
coloca de igual para igual com George e atua também como seu psicólogo,
de forma a tornar-se seu amigo. Seus exercícios e métodos fazem com que
George adquira autoconfiança para cumprir o maior de seus desafios:
assumir a coroa, após a abdicação de seu irmão David (Guy Pearce). A relação entre o futuro rei e seu terapeuta passa por várias etapas, permeada por desconfiança e rancor até se transformar em uma verdadeira relação terapeuta-paciente, e, posteriormente, em uma linda amizade. O filme tem fotografia e direção de arte luxuosas, cenários autênticos (foi parcialmente filmado dentro do Palácio de Bukingham) e figurinos maravilhosos. E eu, particularmente, adoro Colin Firth! A revista
"Mente e Cérebro" de Maio de 2011, número 220, traz uma resenha muito interessante da Dra. Maria Inês Tassinari, doutora em psicologia, psicanalista e fonoaudióloga, sobre o filme e a relação terapeuta-paciente, que transcreverei em parte em outro post.
Além desses filmes, também assisti durante as férias
"Hereafter" - Além da Vida, em português - de Clint Eastwood (o eterno Lone Ranger, adoooooro!), sobre luto e a vida após a morte, muito legal, (
clica no link para ver o trailer) e o belíssimo (mas bem devagar!)
"A Single Man" - Direito de Amar - incursão do brilhante estilista que reinventou a Gucci pela sétima arte. Com um irreconhecível Colin Firth no papel de um enrustido professor de Inglês que, após a morte de seu parceiro de longos anos, não consegue ver sentido para a sua vidinha bem
american way of life no início dos anos 60, o filme tem direção de arte caprichosa, figurinos lindíssimos (como não poderia deixar de ser!), e uma pegada bem retrô que me agradou bastante. Sem falar na diva Julianne Moore no papel da amiga/eterna apaixonada do protagonista, belíssima! Quase morri de desejo pelo vestido maravilhoso que ela usa na cena do jantar!!! Muito perfeito, com um final meio sem graça, devo admitir...
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Julianne Moore elegantemente vestindo Tom Ford em "A Single Man", maravilhosaaaaaaa!!! |
Bem, that's all, folks. Vi outros filmes durante essas férias, mas nada que merecesse um post, ficam então as diks para os que curtem um bom cinema, que emociona e faz pensar, NOT your regular hollywood blockbuster. Beijo, bye!!