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quinta-feira, 7 de junho de 2012

Fiat Voluntas Tua II - one year after



Hoje está fazendo um ano da morte de me pai, um ano que ele fez a sua passagem e que eu vivi o meu dia mais negro.
Mas como tudo na vida, a dor da perda passa, e fica só a saudade, doída. O processo do luto é longo e doloroso, é muito difícil dizer quando termina... 
Sinto saudades todas as semanas, mas agora é tudo mais calmo e a memória dos bons momentos se sobrepõe à tristeza, pois aprendi a acreditar que tudo acontece na hora certa, que tudo é perfeito, seguindo uma ordem qualquer do universo que eu não sei bem qual é, e nem me cabe entender.
Pensar no rio do Heráclito e no fluxo constante dos acontecimentos me consola, e como bom apreciador de filosofa que meu pai era, tenho certeza que é ele que me inspira nesses momentos.
Fica então a homenagem, como ele gostava, com poesia, música e alegria, dando sempre gracias a la vida por ter me dado tanto, um pai maravilhoso, que me deu essa existência plena e linda... Honrando sempre a memória, seu legado e a certeza das minhas raízes, de tudo que foi plantado e deu belos frutos, todos os ensinamentos e todo o amor...
Pai, obrigada por tudo!




Raízes

Quem um dia teve a graça
De lá nas Missões ouvir
No violão o Pedro Ortaça
retoçando um vanerão,
e o gran Gilberto Monteiro
clarineando a gaita-ponto
em despontes de milonga
fúrias xucras de ginetes
cavalos estraçalhados
na explosão dos entreveros
que caldearam as Missões,
por dentro há de sentir
que o passado
vivo vibra
qual porvir enraizado
'no subsolo da gente'
como entoava o payador
Don Jayme Caetano Braun

Wilmar Taborda, "Sob as Missões e Outros Céus", 2008.






Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me dio dos luceros que cuando los abro
perfecto distingo lo negro del blanco
y en el alto cielo su fondo estrellado
y en las multitudes el hombre que yo amo.

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
me ha dado el oido que en todo su ancho
graba noche y dia grillos y canarios
martillos, turbinas, ladridos, chubascos
y la voz tan tierna de mi bien amado.

Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me ha dado el sonido y el abedecedario
con él las palabras que pienso y declaro
madre amigo hermano y luz alumbrando,
la ruta del alma del que estoy amando.

Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me ha dado la marcha de mis pies cansados
con ellos anduve ciudades y charcos,
playas y desiertos montañas y llanos
y la casa tuya, tu calle y tu patio.

Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me dio el corazón que agita su marco
cuando miro el fruto del cerebro humano,
cuando miro el bueno tan lejos del malo,
cuando miro el fondo de tus ojos claros.

Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me ha dado la risa y me ha dado el llanto,
así yo distingo dicha de quebranto
los dos materiales que forman mi canto
y el canto de ustedes que es el mismo canto
y el canto de todos que es mi propio canto.


segunda-feira, 4 de junho de 2012

"Catedrático, bora discutir Foucault!" - Refletindo sobre o Saber e o Poder



Michel Foucault
Desde o primeiro semestre do nosso curso de Psicologia na UFF ouvimos os professores mencionarem Foucault, em várias disciplinas, e a respeito de diversos assuntos. Eu só conhecia o Foucault da epistemologia, da discussão sobre o discurso e da história das ciências humanas, ao qual fui apresentada através da obra "As Palavras e as Coisas", lá no meu longínquo curso de Letras.

Dá pra dizer que fui apresentada formalmente às obras de Foucault somente agora, na Psicologia.  A princípio achei difícil de ler, de acompanhar o raciocínio frenético desse autor, e seus períodos longuíssimos... E percebi que suas obras, suas idéias, provocam reações extremadas de amor ou ódio nas pessoas, pois há os que "odeiam" o Careca e os que se assumem "foucaultianos de carterinha". Sem pender para um lado ou outro, acho importante conhecer a obra e os pontos de vista desse que foi um grande intelectual do nosso século, pois suas colocações acerca de uma multitude de assuntos podem até ser um pouco maçantes, e podemos discordar de suas conclusões, mas jamais ficar indiferentes a tudo que diz, ele nos instiga a pensar e investigar coisas que tomamos como dadas desde sempre.

Michel Foucault foi um dos mais importantes pensadores da contemporaneidade, que durante sua curta vida estudou e discutiu uma ampla variedade de temas. Trabalhou em campos tão diversos que é difícil categorizar sua obra, que pode tratar tanto de Filosofia, como Psicologia, Sociologia. Medicina, estudos de Gênero, Crítica Cultural e Literária e Epistemologia. O que dá unidade a este extenso e variado campo de estudo é seu interesse no Poder e no Saber, e fundamentalmente nas interações destes dois campos. Poderíamos dizer que ele começa com uma afirmação óbvia: Saber é Poder. A partir deste pressuposto, interessou-se pelo saber dos seres humanos, e no poder que atua sobre os seres humanos.

Ao longo de sua obra Foucault olhou para o mecanismo central das ciências sociais, a categorização das pessoas em normais e anormais. Seus livros estudam diferentes formas de anormalidade, tais como entendidas pela nossa sociedade ocidental, em suas várias faces:  a Loucura (História da Loucura na Idade Clássica - 1961), a criminalidade (Vigiar e Punir - 1975), as enfermidades (O Nascimento da Clínica - 1963) e a sexualidade humana (História da Sexualidade - 1976 a 1984), entre outras obras importantes, e tentam mostrar como um certo saber sobre a "normalidade" foi construído visando o poder, a "normatização" e a disciplina.

Não tem como fazer um resumo da vasta obra desse pensador, filósofo e psicólogo em um post apenas. Resolvemos postar então alguns fragmentos da última leitura que fizemos, agora durante a greve, onde lemos algumas partes de Vigiar e Punir, onde Foucault dedica-se à árdua tarefa de investigar a história das prisões e cárceres,  para entender melhor certas formas de disciplina e certos padrões de relacionamento inaugurados por estas disciplinas ao longo do período clássico, e que existem até nossos dias, como o panoptismo, fenômeno que pode ser observado extensivamente em nossa sociedade. Vamos então à leitura do capítulo onde Foucault nos fala da "docilização dos corpos", dessa espécie de "doma" que somos sujeitos desde nossos primeiros anos de escola e em diferentes contextos de nossas vidas, que tem por objetivo "normatizar", subjugar nossos corpos à disciplina que parecer mais adequada aos interesses da sociedade.


Vigiar e Punir, Capítulo III - Os corpos dóceis, pag.131

"Houve, durante a época clássica, uma descoberta do corpo como objeto e alvo de poder. Encontraríamos facilmente sinais dessa grande atenção dedicada então ao corpo - ao corpo que se manipula, se modela, se treina, que obedece, responde, se torna hábil ou cujas forças se multilplicam.
(...) Nesses esquemas de docilidade, em que o século XVIII teve tanto interesse, o que há de tão novo? Não é a primeira vez, certamente, que o corpo está preso no interior de poderes muito apertados, que lhe impõem limitações, proibições ou obrigações. Muitas coisas entretanto são novas nessas técnicas. A escala , em primeiro lugar, do controle: não se trata de cuidar do corpo, em massa, grosso modo, como se fosse uma unidade indissociável, mas de trabalhá-lo detalhadamente ; de exercer sobre ele uma coerção sem folga, de mantê-lo ao nível mesmo da mecânica - movimentos, gestos, atitude, rapidez: poder infinitesimal sobre o corpo ativo. O objeto, em seguida, do controle: não, ou não mais, os elementos significativos do comportamento ou a linguagem do corpo, mas a economia, a eficácia dos movimentos, sua organização interna; a coação se faz mais sobre as forças do que sobre os sinais; a única cerimônia que realmente importa é a do exercício.
(...) Esses métodos que permitem o controle minucioso das operações do corpo, que realizam a sujeição constante de suas forças e lhes impõem uma relação de docilidade-utilidade, são o que podemos chamar as "disciplinas". Muitos processos disciplinares existiam há muito tempo: nos conventos, nos exércitos, nas oficinas também. Mas as disciplinas se tornaram no decorrer dos séculos XVII e XVIII fórmulas gerais de dominação.

 (...) O momento histórico das disciplinas e o momento em que nasce uma arte do corpo humano, que visa não unicamente o aumento de suas habilidades, nem tampouco aprofundar sua sujeição, mas a formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna tanto mais obediente quanto é mai útil, e inversamente. Forma-se então uma política das coerções que são um trabalho sobre o corpo, uma manipulação calculada de seus elementos, de seus gestos, de seus comportamentos.
(...) uma "mecânica do poder" está nascendo: ela define como pode se ter domínio sobre o corpo dos outros, não simplesmente para que façam o que se quer, mas para que operem como se quer, com as técnicas, segundo a rapidez e a eficácia que se determina. A disciplina fabrica assim corpos submissos e exercitados, corpos "dóceis". A disciplina aumenta as forcas do corpo ( em termos econômicos de utilidade) e diminui essas mesmas forças (em termos políticos de obediência). Em uma palavra:ela dissocia o poder do corpo; faz dele por um lado uma "aptidão", uma "capacidade" que ela procura aumentar; e inverte por outro lado a energia, a potência que poderia resultar disso, e faz dela uma relação de sujeição estrita."

Esses fragmentos são apenas as partes que me chamaram a atenção e sobre as quais fiquei pensando, a obra é muito mais e merece uma leitura atenciosa! Espero que tenha ajudado alguém a "desconstruir" a imagem de Foucault como um cara chato, difícil e "coisa de intelectualóide", como já ouvi muito por aí... Eu não me meto a discutir suas idéias, pois acho que ainda não tenho conhecimento suficiente para isso, mas aprecio a leitura e acho que me fazem pensar e questionar a realidade, e isso é ótimo, na minha opinião!

Referências Bibliográficas:
Foucault, Michel. Vigiar e Punir (Surveiller et punir). 1975. Editora Vozes, Rio de Janeiro, 1997.
Foucault  para principiantes, ebook, 2010.
Funk da "Gaiola das Cabeçudas", Marcelo Adnet e cia. no Comédia MTV, melô da turma no nosso primeiro período, pra quem diz que funk não é cultura! 


terça-feira, 13 de setembro de 2011

Sobre a Linguagem


Pessoal, nas duas últimas aulas de Linguagem do Marcelo estivemos lendo o texto de Robert J. Sternberg sobre a Natureza da Linguagem e sua Aquisição. Inspirada, resolvi estudar um pouquinho sobre o assunto e, novamente, a Tia Marilena foi de grande ajuda. Transcrevo abaixo um fragmento do capítulo 5 do "Convite à Filosofia", pois acho que completa e explica muito do que viemos discutindo em sala. Vou dividir em mais de um post porque tem muita coisa, e como tudo é muito interessante, fica difícil resumir sem perder o fio da meada!!

 
A importância da linguagem

Na abertura de sua obra Política, Aristóteles afirma que somente o homem é um “animal político”, isto é, social e cívico, porque somente ele é dotado de linguagem. Os outros animais, escreve Aristóteles, possuem voz (phone) e com ela exprimem dor e prazer, mas o homem possui a palavra (logos) e, com ela, exprime o bom  e o mau, o justo e o injusto. Exprimir e possuir em comum esses valores é o que torna possível a vida social e política e, dele, somente os homens são capazes.

Na mesma linha é o raciocínio de Rosseau no primeiro capítulo do "Ensaio sobre a origem das línguas":
“A palavra distingue os homens e os animais; a linguagem distingue as nações entre si. Não se sabe de onde é um homem antes que ele tenha falado.” (Jean-Jacques Rosseau, 1712 – 1778)
Escrevendo sobre a teoria da linguagem, o linguista Hjelmslev afirma que “a linguagem é inseparável do homem, segue-o em todos os seus atos”, sendo
“o instrumento graças ao qual o homem modela seu pensamento, seus sentimentos, suas emoções, seus esforços, sua vontade e seus atos, o instrumento graças ao qual ele influencia e é influenciado, a base mais profunda da sociedade humana.”
Prosseguindo em sua apreciação sobre a importância da linguagem, Rosseau considera que a linguagem nasce de uma profunda necessidade de comunicação:
“Desde que  o homem foi reconhecido por outro como um ser sensível, pensante e semelhante a si próprio, o desejo e a necessidade de comunicar-lhes seus sentimentos e pensamentos fizeram-no buscar meios para isto.”
Gestos e vozes, na busca da expressão e da comunicação, fizeram surgir a linguagem.
Por seu turno, Hjelmslev afirma que a linguagem é
“o recurso último e indispensável do homem, seu refúgio nas horas solitárias em que o espírito luta contra a existência, e quando o conflito se resolve no monólogo do poeta e na meditação do pensador.”
A linguagem, diz ele, está sempre à nossa volta, sempre pronta a envolver nossos pensamentos e sentimentos, acompanhando-nos em toda nossa vida. Ela não é um simples acompanhamento do pensamento, “mas sim um fio profundamente tecido na trama do pensamento”, é “o tesouro da memória e a consciência vigilante transmitida de geração a geração.”

A linguagem é, assim, a forma propriamente humana da comunicação , da relação com o mundo e com os outros, da vida social e política, do pensamento e das artes.

No entanto, no diálogo Fedro, Platão dizia que a linguagem é um pharmakon. Esta palavra grega, que em português se traduz por poção, possui três sentidos principais: remédio, veneno ou cosmético. (neste link, um site maravilhoso sobre Platão com os diálogos comentados, muito interessante - pra quem gosta da filosofia, é claro!)

Ou seja, Platão considerava que a linguagem pode ser um medicamento ou um remédio para o conhecimento, pois pelo diálogo e pela comunicação, conseguimos descobrir nossa ignorância e aprender com os outros. Pode, porém, ser um veneno quando, pela sedução das palavras, nos faz aceitar, fascinados, o que vimos ou lemos, sem que indaguemos se tais palavras são verdadeiras ou falsas. Enfim, a linguagem pode ser cosmético, maquiagem ou máscara para dissimular ou ocultar a verdade sob as palavras. A linguagem pode ser conhecimento-comunicação, mas também pode ser encantamento-sedução.


"The Tower of Babel", Brueghel, 1563 - Oil on panel, Kunsthistoriches Museum, Vienna.

Essa mesma ideia da linguagem como possibilidade  de comunicação-conhecimento e de dissimulação-desconhecimento aparece na Bíblia judaico-cristã, no mito da Torre de Babel, quando Deus lançou a confusão entre os homens, fazendo com que perdessem a língua comum e passassem a falar línguas diferentes, que impediam uma obra em comum, abrindo as portas para todos os desentendimentos e guerras. A pluralidade das línguas é explicada, na Escritura Sagrada, como punição porque os homens ousaram imaginar que poderiam construir uma torre que alcançasse o céu, isto é, ousaram imaginar que teriam um poder e um lugar semelhante ao da divindade. “Que sejam confundidos”, disse Deus.

A origem da linguagem


Durante muito tempo a filosofia preocupou-se em definir a origem e as causas da linguagem.
Vaso Grego, Séc IV a.C.
 Uma primeira divergência sobre o assunto surgiu na Grécia: a linguagem é natural aos homens (é inata, existe por natureza?) ou é uma convenção social (aprendida?)? Se a linguagem for natural, as palavras possuem um sentido próprio e necessário; se for convencional, são decisões consensuais da sociedade e, nesse caso, são arbitrárias, isto é, a sociedade poderia ter escolhido outras palavras para designar as coisas.

Essa discussão levou, séculos mais tarde, à seguinte conclusão: a linguagem, como capacidade de expressão dos seres humanos, é natural, isto é, os humanos nascem com uma aparelhagem física, anatômica, nervosa e cerebral que lhes permite expressarem-se pela palavra; mas as línguas são convencionais, isto é, surgem de condições históricas, geográfica, econômicas e políticas determinadas, ou , em outros termos, são fatos culturais. Uma vez constituída uma língua, ela se torna uma estrutura ou um sistema dotado de necessidades internas (sintaxe), passando a funcionar como se fosse algo natural, isto é, como algo que possui suas leis e princípios próprios, independentes dos sujeitos falantes que a empregam.


Perguntar pela origem da linguagem levou a quatro tipos de respostas:

  1.  A linguagem nasce por imitação, isto é, os humanos imitam, pela voz, os sons da Natureza. A origem da língua seria, portanto, a onomatopeia ou imitação dos sons animais e naturais.
  2.  A linguagem nasce por imitação dos gestos, isto é , nasce como uma espécie de pantomima ou encenação, na qual o gesto indica um sentido. Pouco a pouco, o gesto passou a ser acompanhado de sons e estes se tornaram gradualmente palavras, substituindo os gestos.
  3. A linguagem nasce da necessidade: a fome, a sede, a necessidade de abrigar-se e proteger-se, a necessidade de reunir-se em grupo para defender-se das intempéries, dos animais e de outros homens mais fortes levaram à criação de palavras, formando um vocabulário elementar e rudimentar, que, gradativamente, tornou-se mais complexo e transformou-se numa língua;
  4. A língua nasce das emoções, particularmente do grito (medo, surpresa ou alegria), do choro (dor, medo, compaixão) e do riso (prazer, bem-estar, felicidade).

     Citando novamente Rousseau em seu “Ensaio sobre a origem das línguas”:

“Não é a fome ou a sede, mas o amor ou o ódio, a piedade, a cólera, que aos primeiros homens lhes arrancaram as primeiras vozes... Eis por que as primeiras línguas foram cantantes e apaixonadas antes de serem simples e metódicas.”

Assim, a linguagem, nascendo das paixões, foi primeiro linguagem figurada e por isso surgiu como poesia e canto, tornando-se prosa muito depois; e as vogais nasceram antes das consoantes. Assim como a pintura nasceu antes da escrita, assim também os homens primeiro cantaram seus sentimentos e só muito depois exprimiram seus pensamentos.


Essas teorias não são excludentes. É muito possível que a linguagem tenha nascido de todas essas fontes ou modos de expressão, e os estudos de Psicologia Genética (isto é, da gênese da percepção, imaginação, memória, linguagem e inteligência nas crianças) mostram que uma criança se vale de todos esses meios para começar a exprimir-se. Uma linguagem se constitui quando passa dos meios de expressão aos de significação, ou quando passa do expressivo ao significativo.

Mas isso já é assunto para outro post, que esse já está bem grandinho!

Para terminar, já que a autora afirma que os homens primeiro cantaram seus sentimentos, uma musiquinha do velho Mano Caetano que expressa muito bem sentimentos, pensamentos e emoções acerca da nossa língua pátria, “a última flor do Lácio”, sempre citada nas nossas aulas, sejam de Linguagem ou Filosofia!!!


 


Referência Bibliográfica: CHAUÍ, Marilena. "Convite à Filosofia". Rio de Janeiro. Editora Ática. 1997.


domingo, 24 de julho de 2011

Crônica de uma morte anunciada


Amy foi encontrada morta ontem, em Londres, ao 27 anos.
Então todo mundo resolveu citar Garcia Marquez pra falar da morte de Amy Winehouse. E é incrível a força desta ideia, pois foi a primeira coisa que me passou pela cabeça quando ouvi a notícia ontem. Sim, todos sabiam que ela ia acabar se matando. Ela mesma dizia-cantava "I'm no Good"! Mas mesmo assim, é muito triste ver uma pessoa tão jovem e talentosa, com uma das melhores vozes que já ouvi, se destruir com drogas e álcool. Era considerada uma diva moderna do pop/soul/jazz, uma inglesa branquela com voz de dama do jazz e letras surpreendentemente wise e universais para a sua tão pouca idade...

Mas não cabe a nós fazermos qualquer julgamento de valor, eu acho. Não importa como ela viveu sua vida, pois com certeza todos somos responsáveis por nossas escolhas, nem como ela morreu, se foi por overdose ou doença. Importa o que ela fez com o seu tempo, e no caso dessa moça, ela fez música de primeira qualidade. E com certeza a sua música e a sua linda voz vão eternizá-la. Mas só o que a gente ouve é da sua vida desregrada, da coincidência (como se fosse mesmo!) de ter morrido aos 27 anos (a praga dos 27!) como outros ídolos jovens do pop/rock.
Kurt Cobain

Jim at his best!
Janis também morreu aos 27, vítima de uma combinação fatal de álcoo e heroína.

Impossível não lembrar de Janis, Jim Morrisson, Jimi Hendrix, Kurt Cobain... todos almas atormentadas, vítimas do álcool e do uso abusivo de drogas, mas indiscutivelmente gênios, criativos, e que nos deixaram um belo legado. Que pena, já imaginou o que esses caras teriam feito se chegassem à idade do Mick Jaegger, Keith Richards, Eric Clapton e outros "porra loucas" do rock que souberam segurar sua onda??

Fica a música, e, no caso da Amy, o meu arrependimento de não tê-la visto ao vivo quando tive a oportunidade!
RIP, girl!


Para ouvir mais: A linda versão de "Will you still love me tomorrow?", gravada para a trilha sonora do filme "Bridget Jones - No limite da Razão". Será que ainda vamos amá-la amanhã?? Eu sei que eu vou!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

quem disse que música budista é só mantra?

os the darma lóvers - rock budista que faz bem à alma

Hoje estou inaugurando a minha série de posts de férias. Todos bem light, nada de psicologia, filosofia e eteceteras. Dicas de férias, sem pretensão de serem sérias... Pra começar, minha primeira dica é relaxar ao máximo, de preferência ouvindo boa música...
Trago pra vocês uma banda gaúcha com a qual tenho uma relação muito forte, de amor, de amizade, de aprendizado, de fã... Os The Darma Lóvers.
Uma dupla de praticantes do budismo tibetano , morando no alto de um morro ao lado de um Templo Budista tradicional no interior do Rio Grande do Sul decidem fazer música a partir de suas experiências meditativas, mixando blues, mpb, psicodelia, tropicália,  rock´n´roll e algo mais .
 Surgem daí Os the Darma Lóvers  criando o assim chamado ZEN ROCK ,em  um formato pop/universal para inspirar relaxamento e reflexão com humor , estilo e poesia.
 
É assim mesmo, com "os the" e acento no "ó":
Darma = o conjunto de ensinamentos deixados pelo Buda
Lóvers = amantes ...
the = por ser a marca registrada de quaaase todas bandas que os Dj´s amam:
the Rolling Stones ,the Beatles , the Who...
Os = pra ficar claro que são brasileiros e cantam em português, ora !



Já foram cinco CDs gravados, com o sexto saindo ainda este ano. Para saber mais acesse a homepage da banda e o blog, com escritos "óóóóteeeeemos" do Nenung... E deixe o som te levar!!!


                                                   "Desapego", CD "Básico", 2000





                                              "Keep Going", CD "Básico",  2000.
                                  




Uma das minhas letras favoritas: (siga o link abaixo para letras e vídeos da banda)
Composição: Nenung
 
"Pude eu me achar nisso que sou agora
Melhor será dizer aqui bem onde estou
Sei que não sou nada que possa durar
Mas me reconheço e sei mudar
E isso é bom...
Irínia cantando com a alma!
Perco o endereço mas tenho atenção
Pra me dar suporte, sempre um eixo
Às vezes apresso o passo e caio em confusão
Mas já não cultivo meus tropeços
E isso é bom
Isso é bom sentir
A casa e o amor são gigantescos
Se isso é som, nisso posso voar
E dar valor ao que já não tem preço
Fui gigante desde que conheço
Esse mundo imenso que carrego em mim
Mas nunca maior que qualquer outro não
Gigantesco como todos são
Veio o tempo do esquecimento
Me vi tão pequeno e inseguro
Mas o labirinto é só cimento então:
Basta ir acima dos seus muros!
E isso é bom
Isso é bom sentir
A casa e o amor são gigantescos
Se isso é som, nisso posso voar
E dar valor ao que já não tem preço
E isso é bom
Isso é bom sentir
A casa e o amor são sem limites
Se isso é som, nisso posso voar
E ser tudo que essa vida permite
E ser tudo que essa vida permite"

                                                     


Porque cantando e dançando também dá pra meditar...


quinta-feira, 23 de junho de 2011

...porque boa música faz bem à alma!!

Finalmente chegou o feriado mais esperado do ano aqui em casa, o Corpus Christi, que sempre traz o nosso amado "Rio das Ostras Jazz and Blues Festival"!!!
O Festival chega esta ano à sua nona edição, e já é referência internacional quando se fala em evento de jazz e blues. Este ano a programação está super "amarradinha", com os blueseiros tocando na concha acústica da Lagoa de Iriry (em frente da minha casa!!! que privilégio!!) às 14:15 hrs, as bandas com uma pegada mais jazz tocando no palco da Praia da Tartaruga às 17:15 e à noite todo mundo se mistura, no Camping Costa Azul, a partir das 20:00. Ah, e tem também as matinês na Praça São Pedro, começando às 11:30 na Concha Acústica, ou seja, tem horário de boa música pra todos! Ver todos estes shows é uma verdadeira maratona!

Vista da Praia de Costa Azul

A combinação de boa música, belas paisagens de nossas lindas praias, gente interessante e bonita e um friozinho gostoso fazem deste evento o melhor do ano na cidade, em nossa opinião!
Nos shows da Lagoa sempre contamos com a presença de muitas crianças, e a família comparece em peso!!
Mais tarde, o programa é só pros adultos, é claro, e sempre rola aquele jantarzinho romântico no Bartrô Bar e Bistrô, com suas comidinha maravilhosas, capitaneados pela simpatia e competência dos nossos amigos Pedro e Tânia.
Este ano teremos Leo Gandelman e sua banda, além dos internacionais "Yellow Jackets"  e Bryan Lee, tocando na Lagoa no domingão, para encerrar esta edição.
Nós tivemos o prazer de assistir os "Blues Etílicos" e Yamandú Costa na beira da praia em edições passadas deste evento, uma delícia, além dos inequecíveis shows de Magic Slim, John Mayall & The Bluesbrakers, Stanley Jordan e outros grandes nomes do Blues (and Jazz!!) aqui na nossa cidade, realmente pra fazer história (e ajudar a cultivar o bom gosto musical dos nossos filhotes!).

O grande e inesquecível Stanley Jordan, durante o Festival do ano passado.

Segue abaixo o link para a página oficial do Festival, com toda a programação!


E bom feriado a todos! Só não dá pra esquecer que na semana que vem temos muitas provas, portanto, entre um show e outro, "bora" ler os textos do Roberto da Matta (siga o link para ler uma excelente entrevista desse grande pensador brasileiro veiculada na Revista Trip 192, de Setembro de 2010), Louis Dumont, Felix Guattari e Durkheim pra prova do nosso querido Hildes!!!  Até a próxima, fiquem com uma "palhinha" do festival do ano passado!