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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Girl's Power



"O auto-conhecimento não é garantia de felicidade, mas está ao lado da felicidade e pode fornecer a coragem para lutar por ela." 

Essa frase de Simone de Beauvoir traduz fielmente meu  momento atual, onde a busca por mais saber, pelo que me move e me encanta, tem sido constante e tem me feito muito, muito mais feliz!

Além de todos os questionamentos que as leituras e as experiências da faculdade normalmente me provocam, tenho me debruçado sobre as questões do feminino, do feminismo enquanto busca por condições e oportunidades igualitárias para as mulheres, em todos os sentidos. Ah, já posso ouvir as críticas: "mas essa tecla é tão batida, hoje em dia as mulheres tem direitos iguais aos homens e conquistaram muitas de suas reivindicações". Será??

Em todos os lugares mulheres continuam sendo estupradas e culpadas por isso, continuam sendo vistas como objetos, continuam recebendo salários menores que os homens, apesar de comprovadamente terem níveis educacionais superiores, continuam sem creches públicas de qualidade, ou sem creches nos seus locais de trabalho, continuam sendo julgadas e medidas pela sua aparência ou por seus hormônios flutuantes...

É importante para mim, como mulher e pessoa, ler, refletir e discutir sobre tais questões, e tentar encontrar formas de lutar para que todas as mulheres tenham condições de enxergar seu valor e seu lugar no mundo, tentar ultrapassar as barreiras impostas pela "mística do feminino" construída socialmente e descobrir que seu lugar é onde elas quiserem estar, seja trabalhando, sendo donas de casa, universitárias, doutoras, cientistas ou astonautas. Acho que é meu dever pensar e discutir tais questões, para poder ao menos oferecer à minha filha melhores oportunidades, reais oportunidades de ser o que quiser!

Esse mini post foi só um "desabafo", em outros estarei discutindo mais profundamente essas questões e trazendo comentários sobre minhas leituras e reflexões a respeito do assunto.

Por ora, MENINAS SUPERPODEROSAS, continuem lutando...


segunda-feira, 4 de junho de 2012

"Catedrático, bora discutir Foucault!" - Refletindo sobre o Saber e o Poder



Michel Foucault
Desde o primeiro semestre do nosso curso de Psicologia na UFF ouvimos os professores mencionarem Foucault, em várias disciplinas, e a respeito de diversos assuntos. Eu só conhecia o Foucault da epistemologia, da discussão sobre o discurso e da história das ciências humanas, ao qual fui apresentada através da obra "As Palavras e as Coisas", lá no meu longínquo curso de Letras.

Dá pra dizer que fui apresentada formalmente às obras de Foucault somente agora, na Psicologia.  A princípio achei difícil de ler, de acompanhar o raciocínio frenético desse autor, e seus períodos longuíssimos... E percebi que suas obras, suas idéias, provocam reações extremadas de amor ou ódio nas pessoas, pois há os que "odeiam" o Careca e os que se assumem "foucaultianos de carterinha". Sem pender para um lado ou outro, acho importante conhecer a obra e os pontos de vista desse que foi um grande intelectual do nosso século, pois suas colocações acerca de uma multitude de assuntos podem até ser um pouco maçantes, e podemos discordar de suas conclusões, mas jamais ficar indiferentes a tudo que diz, ele nos instiga a pensar e investigar coisas que tomamos como dadas desde sempre.

Michel Foucault foi um dos mais importantes pensadores da contemporaneidade, que durante sua curta vida estudou e discutiu uma ampla variedade de temas. Trabalhou em campos tão diversos que é difícil categorizar sua obra, que pode tratar tanto de Filosofia, como Psicologia, Sociologia. Medicina, estudos de Gênero, Crítica Cultural e Literária e Epistemologia. O que dá unidade a este extenso e variado campo de estudo é seu interesse no Poder e no Saber, e fundamentalmente nas interações destes dois campos. Poderíamos dizer que ele começa com uma afirmação óbvia: Saber é Poder. A partir deste pressuposto, interessou-se pelo saber dos seres humanos, e no poder que atua sobre os seres humanos.

Ao longo de sua obra Foucault olhou para o mecanismo central das ciências sociais, a categorização das pessoas em normais e anormais. Seus livros estudam diferentes formas de anormalidade, tais como entendidas pela nossa sociedade ocidental, em suas várias faces:  a Loucura (História da Loucura na Idade Clássica - 1961), a criminalidade (Vigiar e Punir - 1975), as enfermidades (O Nascimento da Clínica - 1963) e a sexualidade humana (História da Sexualidade - 1976 a 1984), entre outras obras importantes, e tentam mostrar como um certo saber sobre a "normalidade" foi construído visando o poder, a "normatização" e a disciplina.

Não tem como fazer um resumo da vasta obra desse pensador, filósofo e psicólogo em um post apenas. Resolvemos postar então alguns fragmentos da última leitura que fizemos, agora durante a greve, onde lemos algumas partes de Vigiar e Punir, onde Foucault dedica-se à árdua tarefa de investigar a história das prisões e cárceres,  para entender melhor certas formas de disciplina e certos padrões de relacionamento inaugurados por estas disciplinas ao longo do período clássico, e que existem até nossos dias, como o panoptismo, fenômeno que pode ser observado extensivamente em nossa sociedade. Vamos então à leitura do capítulo onde Foucault nos fala da "docilização dos corpos", dessa espécie de "doma" que somos sujeitos desde nossos primeiros anos de escola e em diferentes contextos de nossas vidas, que tem por objetivo "normatizar", subjugar nossos corpos à disciplina que parecer mais adequada aos interesses da sociedade.


Vigiar e Punir, Capítulo III - Os corpos dóceis, pag.131

"Houve, durante a época clássica, uma descoberta do corpo como objeto e alvo de poder. Encontraríamos facilmente sinais dessa grande atenção dedicada então ao corpo - ao corpo que se manipula, se modela, se treina, que obedece, responde, se torna hábil ou cujas forças se multilplicam.
(...) Nesses esquemas de docilidade, em que o século XVIII teve tanto interesse, o que há de tão novo? Não é a primeira vez, certamente, que o corpo está preso no interior de poderes muito apertados, que lhe impõem limitações, proibições ou obrigações. Muitas coisas entretanto são novas nessas técnicas. A escala , em primeiro lugar, do controle: não se trata de cuidar do corpo, em massa, grosso modo, como se fosse uma unidade indissociável, mas de trabalhá-lo detalhadamente ; de exercer sobre ele uma coerção sem folga, de mantê-lo ao nível mesmo da mecânica - movimentos, gestos, atitude, rapidez: poder infinitesimal sobre o corpo ativo. O objeto, em seguida, do controle: não, ou não mais, os elementos significativos do comportamento ou a linguagem do corpo, mas a economia, a eficácia dos movimentos, sua organização interna; a coação se faz mais sobre as forças do que sobre os sinais; a única cerimônia que realmente importa é a do exercício.
(...) Esses métodos que permitem o controle minucioso das operações do corpo, que realizam a sujeição constante de suas forças e lhes impõem uma relação de docilidade-utilidade, são o que podemos chamar as "disciplinas". Muitos processos disciplinares existiam há muito tempo: nos conventos, nos exércitos, nas oficinas também. Mas as disciplinas se tornaram no decorrer dos séculos XVII e XVIII fórmulas gerais de dominação.

 (...) O momento histórico das disciplinas e o momento em que nasce uma arte do corpo humano, que visa não unicamente o aumento de suas habilidades, nem tampouco aprofundar sua sujeição, mas a formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna tanto mais obediente quanto é mai útil, e inversamente. Forma-se então uma política das coerções que são um trabalho sobre o corpo, uma manipulação calculada de seus elementos, de seus gestos, de seus comportamentos.
(...) uma "mecânica do poder" está nascendo: ela define como pode se ter domínio sobre o corpo dos outros, não simplesmente para que façam o que se quer, mas para que operem como se quer, com as técnicas, segundo a rapidez e a eficácia que se determina. A disciplina fabrica assim corpos submissos e exercitados, corpos "dóceis". A disciplina aumenta as forcas do corpo ( em termos econômicos de utilidade) e diminui essas mesmas forças (em termos políticos de obediência). Em uma palavra:ela dissocia o poder do corpo; faz dele por um lado uma "aptidão", uma "capacidade" que ela procura aumentar; e inverte por outro lado a energia, a potência que poderia resultar disso, e faz dela uma relação de sujeição estrita."

Esses fragmentos são apenas as partes que me chamaram a atenção e sobre as quais fiquei pensando, a obra é muito mais e merece uma leitura atenciosa! Espero que tenha ajudado alguém a "desconstruir" a imagem de Foucault como um cara chato, difícil e "coisa de intelectualóide", como já ouvi muito por aí... Eu não me meto a discutir suas idéias, pois acho que ainda não tenho conhecimento suficiente para isso, mas aprecio a leitura e acho que me fazem pensar e questionar a realidade, e isso é ótimo, na minha opinião!

Referências Bibliográficas:
Foucault, Michel. Vigiar e Punir (Surveiller et punir). 1975. Editora Vozes, Rio de Janeiro, 1997.
Foucault  para principiantes, ebook, 2010.
Funk da "Gaiola das Cabeçudas", Marcelo Adnet e cia. no Comédia MTV, melô da turma no nosso primeiro período, pra quem diz que funk não é cultura! 


domingo, 13 de maio de 2012

Dia das Mães



Mesmo sabendo que o Dia das Mães foi uma data criada para "aquecer" um período de vendas baixas, golpe de marketing e blá blá blá, sempre me deixo levar pelo sentimentalismo da data, ainda mais depois de ter me tornado mãe também... 

Não dá pra passar em branco, e confesso que adoro todas as homenagens, comemorações na escola, mimos e etc. É sempre bom ser paparicada e amada, ainda mais por uma coisa que me orgulho muito de viver a cada dia, ser e estar mãe...aprendendo com eles e ensinando continuamente, fazendo da vida uma rollercoaster ride de acontecimentos e emoções, tendo a sorte de vê-los crescer e desabrochar para a vida!


E é sempre emocionante estar com a minha mama, ser filha, homenageá-la e poder agradecer por ela ter me ensinado e me inspirado a ser mãe, seja seguindo os seus exemplos ou aprendendo com seus erros... E esta mistura de ser filha, mãe, cuidadora, amiga e seguidora é o que faz a alma feminina tão especial!
Obrigada, mãe, e que possamos estar juntas por muitos outros dias das mães e filhas!

Minha linda Mamita, 13 de Maio de 2012, em Porto Alegre

domingo, 16 de outubro de 2011

Dia dos Professores



Hoje foi o Dia dos Professores, dia de homenagear todos aqueles que se esforçam para ensinar neste país. É até uma ironia falar deste dia de homenagem em um país que não valoriza a educação, onde, historicamente, a profissão de professor só é alternativa para alguns poucos que dão aulas por vocação mesmo, por que não sabem e não querem fazer outra coisa. Cada vez menos estudantes querem ser professores, por que será??? Salário indigno, péssimas condições de trabalho, e nos tempos de loucura que vivemos, até risco de vida...

Ser professor exige dedicação, preparo, horas de estudo, tempo, paciência, e, mais que tudo, amor pelo saber, vontade de contribuir para o crescimento individual dos alunos e da sociedade. Ser professor significa passar horas (muitas vezes do final de semana, em casa, sem remuneração) corrigindo trabalhos e provas, pesquisando para fazer o conteúdo mais interessante e suas aulas mais agradáveis...

Eu sou filha de professores, e quando criança adorava poder ir para a escola com a minha mãe, e ficar bem quietinha lá no fundo da sala (desde então gosto do fundão!), observando tudo, rabiscando quando eu ainda não sabia escrever, depois fazendo as minhas tarefas de escola. Adorava escrever com giz colorido no quadro verde, e quando minha mãe me pedia pra fazer a chamada da turma, era a glória!! Com certeza, muitos momentos felizes da minha infância passei dentro de uma escola, seja na sala de aula, no pátio ou na biblioteca!! 


Em casa, uma das brincadeiras favoritas era "de aulinha", com minha propria lousa e caixinha de giz, uma delícia!! Eu e minha prima ficávamos horas dando aula uma pra outra, pras bonecas, pros adultos que quisessem participar da brincadeira... Nessa brincadeira, me alfabetizei com 5 anos, antes do primeiro ano escolar (minha prima é alguns anos mais velha do que eu, me ensinou as primeiras letras!), e conseguimos motivar minha babá, analfabeta, a cursar o MOBRAL (programa do governo para alfabetização de adultos da minha época), pois ela conseguiu aprender um pouquinho brincando com a gente, e lá foi, bem feliz, atrás da sua cidadania!!! Depois de crescida, vi meu pai, já quase se aposentando da advocacia e serviço público, fazer doutorado e concurso para dar aulas na Universidade. Pela pura vontade de estudar e ensinar, por amor ao saber...


Ser professora foi para mim uma escolha quase natural, óbvia. E me sinto muito sortuda de ter tido a oportunidade de crescer em um ambiente que valoriza a educação, a leitura, o amor aos livros, o respeito às ideias alheias, e sobretudo, a valorizar as diferenças...

Hoje eu estou afastada (temporariamente, que fique bem claro) da sala de aula, e tenho saudade dos meus alunos, dos meus colegas, da sala dos professores, das reuniões... Mas estou "do outro lado", estou aluna, indo atrás do meu sonho na universidade, e tendo a chance de conhecer e conviver com professores ótimos, jovens, brilhantes, motivados, que me fazem querer aprender e saber mais e mais a cada dia... Que me fazem ainda pensar: "Quero ser que nem ele(a) quando crescer!", e isso é muito bom!!!! Tenho certeza que logo estarei de volta à docência, gostaria muito de usar a minha experiência e o meu saber para contribuir na formação de outros, sejam professores ou futuros psicólogos. Este objetivo é o que me move e me dá gás pra continuar estudando, lendo, pesquisando, discutindo, aprendendo!

Ouvimos, desde o início do novo governo da Presidenta, que o Brasil está investindo na educação, que esta é a meta mais importante desta gestão. Gostaria muitíssimo de acreditar, de ver realmente investimentos em formação de professores, mais e melhores escolas, aparelhadas com tecnologia, condições para que os professores estejam sempre reciclando seu saber, aprendendo, melhorando junto com os alunos (a educação de qualidade é uma via de mão dupla,  só pode ensinar que aprende também), e principalmente, a valorização dos professores. Salários dignos, incentivos, cursos... Sem alunos tendo aula em containers de aço...

A única  forma de o Brasil realmente dar um salto de desenvolvimento e ser "o país do futuro" que ouvimos falar a tanto tempo é através da educação da sua população, pois é com educação que se  constrói cidadania, participação ativa e mão de obra qualificada. O desenvolvimento da eduação faz com que a saúde e as condições de vida da população melhorem, faz com que todos tenham mais oportunidades de crescimento. Assim, que sabe, possamos atenuar as diferenças sociais tão gritantes no nosso país. Será que estou acreditando numa utopia?? Pode ser, todo professor é um pouco sonhador, mas prefiro acreditar que 
  
"sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade!"

Parabéns e meu sincero MUITO OBRIGADA a todos os meus mestres,  passados e atuais, e tb ao futuros, porque tenho muito chão pela frente nessa caminhada rumo à minha formação!! Acho que eu não vou deixar de ser aluna nunca, hehe!


Deixo  que as palavras do grande Mestre Paulo Freire, que muito ensinou a todos nós, falem por mim:

"Ninguém nega o valor da educação, e que um bom professor é imprescindível. Mas ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho. A data é um convite para que todos, pais, alunos, sociedade, repensemos nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que queremos. Aos professores fica o convite para que não se descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem "águias", e não apenas "galinhas". Pois se a educação sozinho não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda."                              Paulo Freire


Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.
Cora Coralina

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Sobre a Linguagem


Pessoal, nas duas últimas aulas de Linguagem do Marcelo estivemos lendo o texto de Robert J. Sternberg sobre a Natureza da Linguagem e sua Aquisição. Inspirada, resolvi estudar um pouquinho sobre o assunto e, novamente, a Tia Marilena foi de grande ajuda. Transcrevo abaixo um fragmento do capítulo 5 do "Convite à Filosofia", pois acho que completa e explica muito do que viemos discutindo em sala. Vou dividir em mais de um post porque tem muita coisa, e como tudo é muito interessante, fica difícil resumir sem perder o fio da meada!!

 
A importância da linguagem

Na abertura de sua obra Política, Aristóteles afirma que somente o homem é um “animal político”, isto é, social e cívico, porque somente ele é dotado de linguagem. Os outros animais, escreve Aristóteles, possuem voz (phone) e com ela exprimem dor e prazer, mas o homem possui a palavra (logos) e, com ela, exprime o bom  e o mau, o justo e o injusto. Exprimir e possuir em comum esses valores é o que torna possível a vida social e política e, dele, somente os homens são capazes.

Na mesma linha é o raciocínio de Rosseau no primeiro capítulo do "Ensaio sobre a origem das línguas":
“A palavra distingue os homens e os animais; a linguagem distingue as nações entre si. Não se sabe de onde é um homem antes que ele tenha falado.” (Jean-Jacques Rosseau, 1712 – 1778)
Escrevendo sobre a teoria da linguagem, o linguista Hjelmslev afirma que “a linguagem é inseparável do homem, segue-o em todos os seus atos”, sendo
“o instrumento graças ao qual o homem modela seu pensamento, seus sentimentos, suas emoções, seus esforços, sua vontade e seus atos, o instrumento graças ao qual ele influencia e é influenciado, a base mais profunda da sociedade humana.”
Prosseguindo em sua apreciação sobre a importância da linguagem, Rosseau considera que a linguagem nasce de uma profunda necessidade de comunicação:
“Desde que  o homem foi reconhecido por outro como um ser sensível, pensante e semelhante a si próprio, o desejo e a necessidade de comunicar-lhes seus sentimentos e pensamentos fizeram-no buscar meios para isto.”
Gestos e vozes, na busca da expressão e da comunicação, fizeram surgir a linguagem.
Por seu turno, Hjelmslev afirma que a linguagem é
“o recurso último e indispensável do homem, seu refúgio nas horas solitárias em que o espírito luta contra a existência, e quando o conflito se resolve no monólogo do poeta e na meditação do pensador.”
A linguagem, diz ele, está sempre à nossa volta, sempre pronta a envolver nossos pensamentos e sentimentos, acompanhando-nos em toda nossa vida. Ela não é um simples acompanhamento do pensamento, “mas sim um fio profundamente tecido na trama do pensamento”, é “o tesouro da memória e a consciência vigilante transmitida de geração a geração.”

A linguagem é, assim, a forma propriamente humana da comunicação , da relação com o mundo e com os outros, da vida social e política, do pensamento e das artes.

No entanto, no diálogo Fedro, Platão dizia que a linguagem é um pharmakon. Esta palavra grega, que em português se traduz por poção, possui três sentidos principais: remédio, veneno ou cosmético. (neste link, um site maravilhoso sobre Platão com os diálogos comentados, muito interessante - pra quem gosta da filosofia, é claro!)

Ou seja, Platão considerava que a linguagem pode ser um medicamento ou um remédio para o conhecimento, pois pelo diálogo e pela comunicação, conseguimos descobrir nossa ignorância e aprender com os outros. Pode, porém, ser um veneno quando, pela sedução das palavras, nos faz aceitar, fascinados, o que vimos ou lemos, sem que indaguemos se tais palavras são verdadeiras ou falsas. Enfim, a linguagem pode ser cosmético, maquiagem ou máscara para dissimular ou ocultar a verdade sob as palavras. A linguagem pode ser conhecimento-comunicação, mas também pode ser encantamento-sedução.


"The Tower of Babel", Brueghel, 1563 - Oil on panel, Kunsthistoriches Museum, Vienna.

Essa mesma ideia da linguagem como possibilidade  de comunicação-conhecimento e de dissimulação-desconhecimento aparece na Bíblia judaico-cristã, no mito da Torre de Babel, quando Deus lançou a confusão entre os homens, fazendo com que perdessem a língua comum e passassem a falar línguas diferentes, que impediam uma obra em comum, abrindo as portas para todos os desentendimentos e guerras. A pluralidade das línguas é explicada, na Escritura Sagrada, como punição porque os homens ousaram imaginar que poderiam construir uma torre que alcançasse o céu, isto é, ousaram imaginar que teriam um poder e um lugar semelhante ao da divindade. “Que sejam confundidos”, disse Deus.

A origem da linguagem


Durante muito tempo a filosofia preocupou-se em definir a origem e as causas da linguagem.
Vaso Grego, Séc IV a.C.
 Uma primeira divergência sobre o assunto surgiu na Grécia: a linguagem é natural aos homens (é inata, existe por natureza?) ou é uma convenção social (aprendida?)? Se a linguagem for natural, as palavras possuem um sentido próprio e necessário; se for convencional, são decisões consensuais da sociedade e, nesse caso, são arbitrárias, isto é, a sociedade poderia ter escolhido outras palavras para designar as coisas.

Essa discussão levou, séculos mais tarde, à seguinte conclusão: a linguagem, como capacidade de expressão dos seres humanos, é natural, isto é, os humanos nascem com uma aparelhagem física, anatômica, nervosa e cerebral que lhes permite expressarem-se pela palavra; mas as línguas são convencionais, isto é, surgem de condições históricas, geográfica, econômicas e políticas determinadas, ou , em outros termos, são fatos culturais. Uma vez constituída uma língua, ela se torna uma estrutura ou um sistema dotado de necessidades internas (sintaxe), passando a funcionar como se fosse algo natural, isto é, como algo que possui suas leis e princípios próprios, independentes dos sujeitos falantes que a empregam.


Perguntar pela origem da linguagem levou a quatro tipos de respostas:

  1.  A linguagem nasce por imitação, isto é, os humanos imitam, pela voz, os sons da Natureza. A origem da língua seria, portanto, a onomatopeia ou imitação dos sons animais e naturais.
  2.  A linguagem nasce por imitação dos gestos, isto é , nasce como uma espécie de pantomima ou encenação, na qual o gesto indica um sentido. Pouco a pouco, o gesto passou a ser acompanhado de sons e estes se tornaram gradualmente palavras, substituindo os gestos.
  3. A linguagem nasce da necessidade: a fome, a sede, a necessidade de abrigar-se e proteger-se, a necessidade de reunir-se em grupo para defender-se das intempéries, dos animais e de outros homens mais fortes levaram à criação de palavras, formando um vocabulário elementar e rudimentar, que, gradativamente, tornou-se mais complexo e transformou-se numa língua;
  4. A língua nasce das emoções, particularmente do grito (medo, surpresa ou alegria), do choro (dor, medo, compaixão) e do riso (prazer, bem-estar, felicidade).

     Citando novamente Rousseau em seu “Ensaio sobre a origem das línguas”:

“Não é a fome ou a sede, mas o amor ou o ódio, a piedade, a cólera, que aos primeiros homens lhes arrancaram as primeiras vozes... Eis por que as primeiras línguas foram cantantes e apaixonadas antes de serem simples e metódicas.”

Assim, a linguagem, nascendo das paixões, foi primeiro linguagem figurada e por isso surgiu como poesia e canto, tornando-se prosa muito depois; e as vogais nasceram antes das consoantes. Assim como a pintura nasceu antes da escrita, assim também os homens primeiro cantaram seus sentimentos e só muito depois exprimiram seus pensamentos.


Essas teorias não são excludentes. É muito possível que a linguagem tenha nascido de todas essas fontes ou modos de expressão, e os estudos de Psicologia Genética (isto é, da gênese da percepção, imaginação, memória, linguagem e inteligência nas crianças) mostram que uma criança se vale de todos esses meios para começar a exprimir-se. Uma linguagem se constitui quando passa dos meios de expressão aos de significação, ou quando passa do expressivo ao significativo.

Mas isso já é assunto para outro post, que esse já está bem grandinho!

Para terminar, já que a autora afirma que os homens primeiro cantaram seus sentimentos, uma musiquinha do velho Mano Caetano que expressa muito bem sentimentos, pensamentos e emoções acerca da nossa língua pátria, “a última flor do Lácio”, sempre citada nas nossas aulas, sejam de Linguagem ou Filosofia!!!


 


Referência Bibliográfica: CHAUÍ, Marilena. "Convite à Filosofia". Rio de Janeiro. Editora Ática. 1997.


sábado, 20 de agosto de 2011

Primeiro Seminário do Semestre

Ainda no tópico comemorações, queria compartilhar com meus leitores a minha satisfação por ter apresentado (com sucesso!) nosso primeiro seminário, em Psicologia Social 1. Meu grupo foi o primeiro, e fizemos uma boa apresentação, pelo menos o professor falou que gostou, fato inédito nas aulas do Tio Hildes... Não sei dizer com certeza se a galera da aula gostou, mas pelo menos nós inovamos no formato, e tornamos a apresentação do texto "Raízes da Psicologia Social Moderna", de Robert Farr, um pouco mais interessante...
Foi tranquilo, e acho que todos do grupo aprenderam bastante, apesar de no inicio estarmos todas apreensivas por não termos  a menor ideia do que fosse Psicologia Social e Psicologia Cognitiva, disciplinas que só estudaremos neste semestre. Serviu para ver que ainda temos muito o que aprender e conhecer nesta vasta área que é a Psicologia. Ainda estamos engatinhando!!!
Parabéns Bruna, Marina, Marina R., Sarah Sorriso, Isabella, Priscila, é sempre muito bom contar com a companhia de vcs, e obrigada!!! Agora temos que esperar a nota, né??
Divulgo abaixo o video que a Marina achou no You Tube sobre Psicologia Cognitiva, e o outro sobre Psicologia Social, que foi o trabalho de conclusão de uma turma de colegas discentes do quinto semestre da PSICO-FAM.


Durante nossas leituras e pesquisas para este trabalho, tive a oportunidade de conhecer alguns autores da área, que ajudaram a fundamentar a Psicologia Social como um campo de estudos importante e muito fecundo, principalmente em países como o nosso, cheio de questões sociais a serem resolvidas. Me chamou a atenção os trabalhos de Serge Moscovici, com sua Teoria das Representações Sociais, citado no texto que trabalhamos e de quem eu encontrei muitas referências e material na web. É um autor que trata de temas que me interessam muito, como proposta anti-alienação e de conhecimento compartilhado pela sociedade. Transcrevo abaixo uma citação de Moscovici que eu traduzi do espanhol para a conclusão da nossa apresentação, acho que vale a reflexão!

“Tudo seria muito simples se pudéssemos dizer sem dúvida: existe o indivíduo e existe a sociedade. Evidentemente isto nos é repetido incontáveis vezes, e parecemos compreender e inclusive ver o que indicam estas palavras. Todos aceitamos como algo indiscutível que estes dois campos estejam separados, que cada um seja autônomo e possua uma identidade própria. Isto significa que podemos conhecer um sem conhecer o outro, como se fossem dois mundos estranhos entre si.  A Psicologia Social analisa e explica os fenômenos que são simultaneamente psicológicos e sociais, ela é a ciência do conflito entre o indivíduo e a sociedade. Poderíamos complementar: da sociedade externa e da sociedade que cada um leva dentro de si. Não são poucos os exemplos do dito conflito: a resistência às pressões conformistas da maioria, a oposição entre um líder e seu grupo, os desvios a respeito da ortodoxia, as discussões dentro de um grupo a fim de chegar a uma decisão, a captação de um indivíduo pela massa e muitos outros casos.”                                                                                                           

Espero que gostem, e até o próximo seminário!!

domingo, 14 de agosto de 2011

On the Road Again!!!


De volta à busca pelo conhecimento, that is, volta às aulas!! Agora quase veterana, no segundo semestre, a coisa vai pegar fogo!! Mal o semestre começou e já temos dois textos pra ler, trabalho a apresentar e muita curiosidade pelo que vem por aí. Mas deixando as reclamações de lado, muito bom retornar à facul e rever os coleguinhas, discutir, pensar... estava com saudades!
O que o homem tem na cabeça, segundo Freud, hehe!!
 
Estou inscrita em nove disciplinas neste semestre, a carga horária está bem "puxada", mas nada que a minha "nerdice" não dê conta, eu acho...
Neste segundo período vamos começar a estudar psicanálise, e já comecei a ler Freud para me preparar para as aulas. Nós tivemos apenas uma aula desta disciplina, TSP II, e a primeira impressão foi boa, a profe é muito simpática e parece manjar bastante do assunto... Adorei quando ela disse que não precisamos gostar do professor, mas temos que gostar de psicanálise... E tb que ninguém faz um curso de psicologia impunemente, que a vontade de se embrenhar pelas veredas da alma humana sempre reflete uma inquietação interna, um "sentir-se estranho na própria pele". Bingo! Agora é só preparar o espírito para as "porradas" que certamente virão...
  
Outra disciplina que acho que vou gostar bastante é a tal de Neuroanatomia, apesar de não gostar muito da ideia de ver cérebros fatiados no laboratório antes do almoço... Mas o professor é muito legal, e acho que vai ser bem interessante. Pelo menos vou ter a chance de usar um jaleco branco e tirar uma onda de enfermeira, hehe (Freud explica o fetichismo, certo?)

Também tivemos aula de Psicologia e História Social do Trabalho, que versa, obviamente, sobre trabalho, com a Prof. Alessandra, certamente aulas interessantes e divertidas a frente! Que figura! Nosso primeiro texto é uma introdução ao texto clássico "O Direito à Preguiça", já gostei de saída.

E o retorno do Hildes, desta vez com Psicologia Social, de novo muitos textos e seminários para apresentar, seguindo o jeito Hildes de ser... Já comecei a ler "As Raízes da Psicologia Social Moderna", de Robert Farr, para a apresentação nesta semana... e ainda tem que ter criatividade pra surpreender o teacher!!!

Ainda na nossa grade, aguardando aulas para matar a curiosidade, Pensamento e Inteligência, Motivação e Emoção, e Linguagem. O que será que vamos estudar nestas disciplinas??? Aguardando os próximos capítulos...

 A única má notícia é que os técnicos do PURO ainda estão em greve, portanto não temos acesso à biblioteca, ainda faltam professores para suprir as demandas do nosso curso, e provavelmente enfrentaremos uma greve de professores logo, logo... Acho muito justa a luta deles por salários dignos e boas condições de ensino, mas tb acho muito chato atrasar o semestre e ter que entrar janeiro adentro tendo aula... As coisas na universidade federal parecem não mudar nunca, e no nosso pólo a situação ainda é preocupante, o jeito é tentar mobilizar os colegas para revindicar nossos direitos, e bora com o nosso movimento estudantil!!! E também rezar pra que as coisas melhorem, que nunca é demais!!! NÃO QUEREMOS MAIS TER AULA EM CONTAINERS, PRECISAMOS DE MAIS PROFESSORES (concurso, please!!)POR UMA EDUCAÇÃO SUPERIOR DE QUALIDADE JÁ!!!






domingo, 7 de agosto de 2011

Flicks de Férias e a estréia do Psiconema

  
Bem, último post das férias dedicado à minha amiguinha Bruna do blog Psiconema, que se propõe a discutir o cinema e a estética da sétima arte como espaço de reflexão psicológica. O Psiconema nasceu já na última semana de aulas do semestre, com posts maravilhosos sobre filmes que abordam distúrbios psicológicos e temas bem espinhosos como suicídio infantil (o tocante documentário "Boy Interrupted", dirigido por Dona Perry para a HBO) e vida manicomial ("A Casa dos Mortos", documentário da antropóloga e documentarista brasileira Debora Diniz). Apesar dos temas difíceis, o texto da Bruna é leve e nos faz querer assistir aos filmes, além do nos "obrigar" a refletir sobre essas situações. Passa lá pra conferir, vale a pena!

Já aguardando as novas aventuras do Psiconema e a segunda edição do nosso projeto de cinema na universidade, uma sugestão: Bruna, quando vamos ver o novo Lars Von Trier (your favorite!) que estréia hj nos cinemas ("Melancolia", 2010)?? Tô louca pra ver, deve ser interessante.

Cenas de "Midnight in Paris", by Woody Allen
 Resolvi postar sobre alguns filmes que vi nessas férias e que além de me proporcionarem bons momentos de diversão, trouxeram alguma reflexão, o lindo e onírico "Meia Noite em Paris", de Woody Allen (em sua melhor forma!!) e o oscarizado "O Discurso do Rei", de Tom Hopper, que eu ainda não tinha assistido. Mas não esperem grandes reflexões psicológicas a respeito dos temas tratados, porque essa é a praia da Bruna! Só vou dar a minha opinião de espectadora mesmo, sem intenção de fazer crítica cinematográfica...

"Meia Noite em Paris", o último filme do genial Woody Allen, tem sido aclamado pela crítica especializada como o melhor filme desse diretor nos últimos tempos, trazendo de volta a temática, a nostalgia e o clima de sonho de grandes sucessos do autor como "A Rosa Púrpura do Cairo" e "Neblina e Sombras", além de ser uma "continuação" da série dedicada a grandes cidades iniciada com "Vicky Cristina Barcelona", de 2008.

O filme conta a história de Gil (Owen Wilson), o evidente "alter ego" do diretor, um jovem escritor americano insatisfeito com sua vida de roteirista em Hollywood, que tem um fascínio por Paris, principalmente a Paris dos anos 20. Ele vai à França com sua noiva tipicamente americana (a chatinha mas linda Rachel MacAdams) e lá vive uma aventura inusitada e fascinante. O filme aborda, entre outros temas, a insatisfação amorosa, a frustração e a fuga a um universo de fantasia e sonho como alternativa para lidar com a realidade. Tudo isso com belíssimas imagens da Cidade Luz, que nos dão vontade de pegar o primeiro avião para a França! E uma trilha sonora impecável, com direito a clássicos de Cole Porter (quem o personagem encontra em Paris!) e a deliciosa "Let's do It (Let's Fall in Love). Saí do cinema com essa música na minha cabeça, e me acompanhou por vários dias!! Ah, e tem ainda a cereja do bolo, a participação especial da primeira dama francesa, a lindíssima Carla Bruni, como uma guia de museu. O filme é um passeio pela cultura (literatura, pintura, música) dos anos 20, com direito a uma caricatura hilária de Salvador Dalí e uma "palhinha" de grandes artistas como Hemingway, Gertrude Stein, Scott Fitzgerald, Picasso, Monet e outros, de um lirismo e beleza incomparáveis... Recomendo! Para ler uma crítica especializada, clica aqui e aqui.

Cartaz de lançamento de "O Discurso do Rei"
"O Discurso do Rei", filme inglês de 2010 que levou o Oscar de melhor filme do ano, entre outros, é um filme mais "sério", mas muito interessante, que aborda a relação entre paciente e terapeuta (transferência) ao contar a história real do encontro do futuro rei da Inglaterra, GeorgeVI (no início do filme apenas Bertie, o Duque de York) e seu terapeuta Lionel Logue (interpretado brilhantemente por Geoffrey Rush). Desde os 4 anos, George (Colin Firth) é gago. Este é um sério problema para um integrante da realiza britânica, que frequentemente precisa fazer discursos. George procurou diversos médicos, mas nenhum deles trouxe resultados eficazes. Quando sua esposa, Elizabeth (Helena Bonham Carter), o leva até Lionel Logue (Geoffrey Rush), um terapeuta de fala de método pouco convencional, George está desesperançoso. Lionel se coloca de igual para igual com George e atua também como seu psicólogo, de forma a tornar-se seu amigo. Seus exercícios e métodos fazem com que George adquira autoconfiança para cumprir o maior de seus desafios: assumir a coroa, após a abdicação de seu irmão David (Guy Pearce). A relação entre  o futuro rei e seu terapeuta passa por várias etapas, permeada por desconfiança e rancor até se transformar em uma verdadeira relação terapeuta-paciente, e, posteriormente, em uma linda amizade. O filme tem fotografia e direção de arte luxuosas, cenários autênticos (foi parcialmente filmado dentro do Palácio de Bukingham) e figurinos maravilhosos. E eu, particularmente, adoro Colin Firth!  A  revista "Mente e Cérebro" de Maio de 2011, número 220, traz uma resenha muito interessante da Dra. Maria Inês Tassinari, doutora em psicologia, psicanalista e fonoaudióloga, sobre o filme e a relação terapeuta-paciente, que transcreverei em parte em outro post.

 Além desses filmes, também assisti durante as férias "Hereafter" - Além da Vida, em português - de Clint Eastwood (o eterno Lone Ranger, adoooooro!), sobre luto e a vida após a morte, muito legal, (clica no link para ver o trailer)  e o belíssimo (mas bem devagar!) "A Single Man" - Direito de Amar -  incursão do brilhante estilista que reinventou a Gucci pela sétima arte. Com um irreconhecível Colin Firth  no papel de um enrustido professor de Inglês que, após a morte de seu parceiro de longos anos, não consegue ver sentido para a sua vidinha bem american way of life no início dos anos 60, o filme tem direção de arte caprichosa, figurinos lindíssimos (como não poderia deixar de ser!), e uma pegada bem retrô que me agradou bastante. Sem falar na diva Julianne Moore no papel da amiga/eterna apaixonada do protagonista, belíssima! Quase morri de desejo pelo vestido maravilhoso que ela usa na cena do jantar!!! Muito perfeito, com um final meio sem graça, devo admitir...



Julianne Moore elegantemente vestindo Tom Ford em "A Single Man", maravilhosaaaaaaa!!!

Bem, that's all, folks. Vi outros filmes durante essas férias, mas nada que merecesse um post, ficam então as diks para os que curtem um bom cinema, que emociona e faz pensar, NOT your regular hollywood blockbuster. Beijo, bye!!




domingo, 24 de julho de 2011

Crônica de uma morte anunciada


Amy foi encontrada morta ontem, em Londres, ao 27 anos.
Então todo mundo resolveu citar Garcia Marquez pra falar da morte de Amy Winehouse. E é incrível a força desta ideia, pois foi a primeira coisa que me passou pela cabeça quando ouvi a notícia ontem. Sim, todos sabiam que ela ia acabar se matando. Ela mesma dizia-cantava "I'm no Good"! Mas mesmo assim, é muito triste ver uma pessoa tão jovem e talentosa, com uma das melhores vozes que já ouvi, se destruir com drogas e álcool. Era considerada uma diva moderna do pop/soul/jazz, uma inglesa branquela com voz de dama do jazz e letras surpreendentemente wise e universais para a sua tão pouca idade...

Mas não cabe a nós fazermos qualquer julgamento de valor, eu acho. Não importa como ela viveu sua vida, pois com certeza todos somos responsáveis por nossas escolhas, nem como ela morreu, se foi por overdose ou doença. Importa o que ela fez com o seu tempo, e no caso dessa moça, ela fez música de primeira qualidade. E com certeza a sua música e a sua linda voz vão eternizá-la. Mas só o que a gente ouve é da sua vida desregrada, da coincidência (como se fosse mesmo!) de ter morrido aos 27 anos (a praga dos 27!) como outros ídolos jovens do pop/rock.
Kurt Cobain

Jim at his best!
Janis também morreu aos 27, vítima de uma combinação fatal de álcoo e heroína.

Impossível não lembrar de Janis, Jim Morrisson, Jimi Hendrix, Kurt Cobain... todos almas atormentadas, vítimas do álcool e do uso abusivo de drogas, mas indiscutivelmente gênios, criativos, e que nos deixaram um belo legado. Que pena, já imaginou o que esses caras teriam feito se chegassem à idade do Mick Jaegger, Keith Richards, Eric Clapton e outros "porra loucas" do rock que souberam segurar sua onda??

Fica a música, e, no caso da Amy, o meu arrependimento de não tê-la visto ao vivo quando tive a oportunidade!
RIP, girl!


Para ouvir mais: A linda versão de "Will you still love me tomorrow?", gravada para a trilha sonora do filme "Bridget Jones - No limite da Razão". Será que ainda vamos amá-la amanhã?? Eu sei que eu vou!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Ser ou Ter?


Ainda da série "dicas de férias", o post de hoje é sobre um livro que vem me acompanhando a quase duas semanas (comprei na La Selva do aeroporto, já li e continuo relendo algumas partes), "Sócrates Jesus e Buda - Três mestres de Vida", do francês Frédéric Lenoir. O livro é fascinante em muitos aspectos, pois, baseando-se em uma bem fundamentada pesquisa, o autor tenta entender por que os ensinamentos de Sócrates, Jesus e Buda sobre responsabilidade individual e tolerância continuam tão pertinentes. O autor descobre que eles têm muito em comum, e que a base de suas ideias está na noção de uma busca espiritual que foi determinante para a criação de um novo tipo de homem: um indivíduo autônomo, responsável por suas escolhas e ações.

Contra uma visão puramente materialista do homem e do mundo, Sócrates, Jesus e Buda são três mestres de vida. Suas palavras derrubaram preconceitos, dogmas e costumes, e atravessaram séculos sem envelhecer.
Já no Prólogo o autor "me ganhou", propondo uma reflexão sobre os rumos da modernidade e a eterna questão: ser ou ter? Como o prólogo é muito grande pra transcrever aqui (estou seriamente tentada a postar tudo..), segue uma citação que me pareceu muito pertinente, e que me deixou morrendo de vontade de ler mais:
"Buda, Sócrates e Jesus são os fundadores do que eu chamaria de "humanismo espiritual". O filósofo Karl Jaspers dedicou-lhes o primeiro tomo de sua história da filosofia (acrescentando Confúcio) e os considera "aqueles que deram a medida do humano". O que pode haver de mais necessário e atual diante da urgência de reconstrução de uma civilização que se tornou planetária? Um planeta excessivamente dilacerado entre uma visão puramente mercantil e materialista de um lado, e um fanatismo e um dogmatismo religioso de outro. Duas tendências aparentemente contrárias e que, não obstante, têm tudo para levar o mundo ao caos, mantendo o ser humano na lógica do "ter", da obediência infantilizante e da dominação; Estou convencido de que apenas a busca do "ser" e da responsabilidade - individual e coletiva- pode nos salvar de nós mesmos. É o que nos ensinam,há mais de dois milênios, cada um a seu modo, Sócrates, o filósofo ateniense, Jesus, o profeta judeu palestino, e Sidarta, chamado Buda, o sábio indiano."
Além de ser de fácil leitura, o livro faz com que nos questionemos sobre questões fundamentais a respeito do que é o conhecimento verdadeiro, o que somos, a busca pela verdade, o que é a justiça, e sobretudo, a importância  do amor e da compaixão. Enfim, tudo aquilo que, parafraseando Nietzsche, nos faz demasiado humanos. Mesmo  pra quem não gosta muito de filosofia ou religião, é uma boa leitura! 
Fik a dik...

"Jesus Christ Superstar", 1973


Referências e Links para este post:
Lenoir, Frédéric. Sócrates, Jesus, Buda: três mestres de vida. tradução Vera Lucia dos Reis - Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.

Trilha Sonora: My favorite song from the musical "Jesus Christ Superstar", de 1973, "I don't know how to love him", sung by the unforgettable Yvonne Elliman, former backing vocal for Eric Clapton's band and many other famous groups.