Cada dia gosto mais desse dissidente do Dr. Sigmund!

"A Psicologia é a ciência das coisas que são possíveis através da alma humana." Espaço pessoal para a divulgação de ideias, pensamentos, sensações e viagens em geral inspiradas pelos meus estudos de Psicologia, agora no segundo semestre do curso da UFF - Pólo de Rio das Ostras, RJ. Comentários são bem-vindos!!
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Neruda sempre!
"Algún día en cualquier parte, en cualquier
lugar indefectiblemente te encontrarás a ti mismo, y ésa, sólo ésa, puede ser
la más feliz o la más amarga de tus horas."
Não sei se já declarei aqui o meu amor incondicional pelo Neruda, acho que não, pois não é bem esse o foco do blog, falar das minhas preferências estéticas. Mas então, pode ser! Já que ultimamente tenho buscado tanto a poesia pra me expressar, pra me consolar, pra me inspirar, resolvi dividir com vocês um pouco disso...
Amo muito poesia, e vários poetas fazem parte da minha vida, já citei aqui o Fernando Pessoa, acho que um dos top 5 da minha lista. Mas ultimamente o Neruda tem estado na minha cabeceira, "Cem Sonetos de Amor" e "Canto General", no original em espanhol. E é uma delícia abrir uma página aleatoriamente e descobrir uma pérola que alegra o meu dia ou simplesmente me faz pensar. Alimento para a alma.
Pra quem gosta de Neruda, tem um milhão de sites e blogs dedicados à ele na internet. Eu tenho acompanhado pelo Facebook essa página aqui, que gosto muito e me dá doses homeopáticas diárias de excelente poesia... Em outra oportunidade, falo mais de como esse amor pelo grande poeta chileno começou... Por ora, só a poesia mesmo, e basta!
"quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outouno
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos.
Não quero dormir sem teus olhos...
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando."
"Se não puderes ser um pinheiro, no topo de
uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de
relva
E dá alegria a algum caminho.
Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou
fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas."
Sites interessantes sobre Pablo Neruda:
domingo, 13 de maio de 2012
Dia das Mães
Mesmo sabendo que o Dia das Mães foi uma data criada para "aquecer" um período de vendas baixas, golpe de marketing e blá blá blá, sempre me deixo levar pelo sentimentalismo da data, ainda mais depois de ter me tornado mãe também...
Não dá pra passar em branco, e confesso que adoro todas as homenagens, comemorações na escola, mimos e etc. É sempre bom ser paparicada e amada, ainda mais por uma coisa que me orgulho muito de viver a cada dia, ser e estar mãe...aprendendo com eles e ensinando continuamente, fazendo da vida uma rollercoaster ride de acontecimentos e emoções, tendo a sorte de vê-los crescer e desabrochar para a vida!
E é sempre emocionante estar com a minha mama, ser filha, homenageá-la e poder agradecer por ela ter me ensinado e me inspirado a ser mãe, seja seguindo os seus exemplos ou aprendendo com seus erros... E esta mistura de ser filha, mãe, cuidadora, amiga e seguidora é o que faz a alma feminina tão especial!
Obrigada, mãe, e que possamos estar juntas por muitos outros dias das mães e filhas!
Minha linda Mamita, 13 de Maio de 2012, em Porto Alegre |
sábado, 12 de maio de 2012
Descobrindo o Existencialismo - Kierkgaard
"A vida só se compreende mediante um retorno ao passado, mas só se vive para diante." - S. Kierkgaard

Para minha surpresa, na ementa, além da Gestalt, estudaremos várias outras linhas de pensamento voltadas para a clínica: Psicodrama (Moreno) e Abordagem Centrada na Pessoa (Rogers), todas com raízes e influências da Fenomenologia (Husserl e Heidegger) e do Existencialismo. Falaremos em outro(s) post(s) sobre a delícia que está sendo fazer essa aula, e da minha "lua-de-mel" de encantamento pelas correntes fenomenológicas da Psicologia.
Para mim, Existencialismo sempre foi sinônimo de Sartre, de quem já gostava muito, até que aprendi que tudo começou com um certo mocinho dinamarquês chamado Sören Kierkgaard.
Lendo seus escritos e um pouco do que foi escrito sobre ele, foi paixão à primeira vista! Não tenho a menor pretensão de analisar a obra desse filósofo, até porque um tanto hermética, apenas destaco algumas partes de seu pensamento que fizeram muito sentido pra mim, e me fizeram compreender melhor o que é essa inquietação da alma humana que o Existencialismo trata.
Transcrevo abaixo parte de introdução ao trabalho de Kiekgaard que encontrei na edição de "Os Pensadores", edição de 1979.
"Considerado por muitos historiadores como o primeiro representante da filosofia existencialista, Sören Aabye Kierkgaard nasceu a 5 de maio de 1813, em Compenhague, filho de Michael Pedersen Kierkgaard, então com 56 anos de idade, e de Anne Sreensdatter, de 44 anos.
"Minha vida não será, apesar de tudo, mais do que uma existência poética".S. Kierkgaard
Essa afirmação revela, segundo György Luckács (1885-1970), seu heroísmo, sua honestidade e sua tragédia. Para Luckács, o heroísmo de Kierkgaard residiu em ter desejado criar formas a partir da vida: sua probidade, em ter seguido até o fim o caminho escolhido; e sua tragédia, em ter desejado viver aquilo que jamais poderia ser vivido
Régis Jolivet afirma que o pensamento de Kierkgaard formou-se, "não tanto por assimilação de elementos estranhos, mas sobretudo através de uma luta de consciência, cada vez mais intensa e cada vez mais exigente, perante as condições, não já da existência em geral, mas do seu próprio existir."
Ainda segundo Jolivet, a filosofia de Kierkgaard é precisamente ele mesmo, e ele mesmo não fortuitamente e, de certo modo contrariado, mas ele mesmo voluntária e sistematicamente, a tal ponto que "o existir como indivíduo" e a consciência desse existir chegaram a ser, para ele, condição absoluta da filosofia e até sua única razão de ser."
Sartre fez uma boa síntese de todo o caráter da filosofia de Kierkgaard, uma filosofia da existência que foi construída em oposição a todos os sistemas racionalistas, especialmente ao sistema hegeliano:
"A vida subjetiva, na própria medida em que é vivida, não pode jamais ser objeto de um saber; ela escapa, em princípio, ao conhecimento... Essa interioridade que pretende afirmar-se contra toda filosofia, na sua estreiteza e profundidade infinita, essa subjetividade reencontrada para além da linguagem, como a aventura pessoal de cada um em face dos outros e de Deus, eis o que Kierkgaard chamou de existência." Sartre, J.P., Questão de Método.
Dentre as obras que Kierkgaard escreveu e publicou em sua curta vida (morreu aos 42 anos de idade), destacam-se Sobre o Conceito da Ironia (1841), Discursos Edificantes (1843/44), Ou, Ou - Um fragmento de Vida (1843), onde encontramos o delicioso "Diário de um Sedutor"(Estou ainda lendo este, em breve postarei alguns fragmentos que me encantaram e, certamente, seduziram!), Temor e Tremor (1843), A Repetição (1843), O Conceito da Angústia (1844), Etapas no Caminho da Vida (1845) e O Desespero Humano (1849).
"Assim como talvez não haja, dizem os médicos, ninguém completamente são, também se poderia dizer, conhecendo bem o homem, que nem um só existe que esteja isento de desespero, que não tenha lá no fundo uma inquietação, uma perturbação, uma desarmonia, um receio de não se sabe o quê de desconhecido ou que ele nem ousa conhecer, receio de uma eventualidade exterior ou receio de si próprio; tal como os médicos dizem de uma doença, o homem traz em estado latente uma enfermidade da qual, num relâmpago, raramente um medo inexplicável lhe revela a presença interna."
Kierkgaard, O Desespero Humano.
Para conhecer mais a obra de Kierkgaard, acesse a página da Stanford Encyclopedia of Philosophy, aqui no original em inglês, ou este ensaio do UOL - Existencialimo Sites, em português.
Para ler citações e frases do autor, vai aqui e aqui.
Sempre o Careca...
"Pensamos que os sentimentos são imutáveis, porém todos os sentimentos, e especialmente os mais nobres e desinteressados, tem uma história. Pensamos que o corpo, em qualquer circunstância, obedece às leis exclusivas da fisiologia e escapa à influência da história, porém isto também é falso. O corpo está moldado por uma grande vairedade de regimes distintos entre si, é desgastado pelos ritmos do trabalho, do repouso e das férias; é envenenado pela comida ou pelos valores, através da ingestão de hábitos ou leis morais; ele gera resistências."
Michel Foucault, "História da Sexualidade - A Vontade de Saber"
terça-feira, 1 de maio de 2012
Manias
Será que existe alguma área da Psicologia que explique o fascínio que esses vidrinhos exercem sobre mim?? Sempre gostei de coleções, de pedras, rolhas, conchas, bonecas, sapatos... Mas a paixão por esmaltes, principalmente estes lindinhos da Chanel, superam todas as outras manias!!!
Coisas de mulher! Será que Freud explica???Tudo começou com o Particuliére, que hoje já está bem difícil de comprar...
E continuou com os maravilhosos tons de azul...
Essa semana ganhei mais três, e continuo na dúvida de quais outras cores da fantástica cartela de primavera (européia) escolher...
Bom pensar em coisas fúteis e mulherzinha de vez em quando, a vida de estudante está complicada... Pode me chamar de fashion victim, fútil ou o que for, mas o fascínio pela marca, pelas cores, pelo cheirinho, me fazem suportar quaisquer críticas...
Simplesmente amo!
sábado, 28 de abril de 2012
Histórias de Pescador - Uma grande lição
“(...) a observação mais completa dos
fenômenos é a do observador participante. Uma pesquisa é um compromisso
afetivo, um trabalho ombro a ombro com o sujeito da pesquisa. E ela será tanto
mais válida se o observador não fizer excursões saltuárias na situação do
observado, mas participar de sua vida.”
Eclea Bosi
No período passado tivemos a oportunidade de aventurar-nos no mundo da pesquisa de campo, pela primeira vez, pelas mãos da nossa querida Alessandra Daflon, professora de Psicologia e História Social do Trabalho. Foi, sem dúvida, a coisa mais gratificante que fiz na faculdade até agora. Nos foi proposto um projeto de pesquisa (e execução da mesma, que por problemas de tempo, configurou-se como uma mini pesquisa) sobre o tema do trabalho em nossa cidade.
Deveríamos escolher uma profissão ou modalidade de trabalho que existe em nosssa comunidade e ir atrás das pessoas que exercem essa atividade, para descobrir como esta experiência se dá. Nós tivemos total liberdade para escolher o que gostaríamos de pesquisar, e como abordaríamos o tema, sempre com a orientação e o precioso auxílio da nossa mestra. Nosso grupo escolheu pesquisar sobre a atividade pesqueira artesanal no nosso município, principalmente por ser uma das mais antigas e formadoras da identidade da nossa cidade.
Ao eleger o trabalho dos pescadores de Rio das Ostras como nosso objeto para esta breve pesquisa foi considerada a importância histórico-cultural da atividade da pesca na formação política e social do município e a evidente transformação que esta atividade vem sofrendo em consequência da expansão de outras atividades econômicas em nossa região, principalmente a indústria de óleo e gás e a indústria de pesca de grande porte, considerada predatória, pois tais atividades representam séria ameaça à continuidade do trabalho da pesca artesanal.
Entendendo que a pesca tem função não só de subsistência, mas de elemento central na formação do grupo, conhecer os detalhes da atividade pesqueira dessa comunidade implica em conhecer sua cultura e suas relações de trabalho. Implica, desta forma, conhecer sua história, seu passado, e como esta história a conduziu até o presente, e quais perspectivas de futuro podem ser traçadas a partir dos acontecimentos presentes.
Ao eleger o trabalho dos pescadores de Rio das Ostras como nosso objeto para esta breve pesquisa foi considerada a importância histórico-cultural da atividade da pesca na formação política e social do município e a evidente transformação que esta atividade vem sofrendo em consequência da expansão de outras atividades econômicas em nossa região, principalmente a indústria de óleo e gás e a indústria de pesca de grande porte, considerada predatória, pois tais atividades representam séria ameaça à continuidade do trabalho da pesca artesanal.
Entendendo que a pesca tem função não só de subsistência, mas de elemento central na formação do grupo, conhecer os detalhes da atividade pesqueira dessa comunidade implica em conhecer sua cultura e suas relações de trabalho. Implica, desta forma, conhecer sua história, seu passado, e como esta história a conduziu até o presente, e quais perspectivas de futuro podem ser traçadas a partir dos acontecimentos presentes.
Ao longo da execução de nosso projeto de pesquisa percebemos que a questão do trabalho dos
pescadores na verdade constitui uma questão política atual, que envolve a
possibilidade de extinção desta atividade na região, por fatores econômicos e
sociais. Ficou claro que a intervenção da indústria do petróleo e gás e a
crescente urbanização do município coloca em risco a manutenção da atividade pesqueira
e da cultura da pesca artesanal na região. A partir disso, nosso olhar sobre o
trabalho da pesca passa, então, a tentar compreender como essa atividade se
constituiu, como se apresenta hoje, e quais perspectivas são possíveis para o
futuro.
Depois de fazer um levantamento de dados sobre o histórico da pesca na cidade e no Brasil, e tentar aprender o máximo que podíamos no curto espaço de tempo que tivemos disponível, fomos a campo para conhecer e entrevistar estes trabalhadores, aprender sobre sua realidade e tentar tecer nossas conclusões sobre as condições do trabalho deles e as dificuldades (muitas!) que enfrentam. Nosso objetivo era, além do obrigatório relatório escrito, produzir um pequeno documentário em vídeo que retratasse a situação dos pescadores em Rio das Ostras atualmente.O resultado está aí, pelo menos o docuoementário, que está a disposição no You Tube. Abaixo segue o link para o trabalho completo, para quem se interessar em ler o nosso relatório final.
Bom trabalho, galera, agora vamos continuar a pesquisa, e quem sabe, publicar nosso artigo!
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Pelo prazer de ler!!!
Tudo que eu queria era ter tempo pra ficar assim, relaxando e lendo só o que me dá prazer... Ultimamente são tantos textos, seminários, apresentações, que não sobra tempo pra ler o que gosto! E na verdade, este período não tem me motivado muito... por isso a falta de novos posts...
Estou fazendo um esforço pra retomar as atividades do blog, mas não quero que seja mais uma obrigação em meio a tantas que já tenho! O objetivo da coisa toda foi me divertir e dar asas à minha liberdade de expressão (ou de não expressar nada!).
Então hoje estou aqui pensando sobre o que escrever, com mil idéias mas nada se concretiza na telinha.
Aí olhei pro lado e vi a pilha de livros que tenho na minha cabeceira, esperando pra serem lidos "quando der tempo". E me dei conta: o tempo é já!!! A vida é hoje!!! Pra que ficar esperando???
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Picture upoloaded from Pinterest.com |
Como diz a foto aí: quando a famosa frase "você nunca terá tempo suficiente para ler tudo que quer" te apavora!
Então, apesar de ainda ter alguns textos para botar em dia, resolvi atacar minha estante e dividir a lista com vocês. E ver quantos vou conseguir ler antes do final do período!
No final de semana passado comecei a ler "Conversa Sobre o Tempo", de Arthur Dapieve com Zuenir Ventura e Luis Fernando Veríssimo, um livro-entrevista, uma delícia. Fiquei no segundo capítulo. Hoje à noite vai pra cama comigo, chega de textos de Entrevista Psicológica, Percepçao e Psicanálise!
A lista, então: (aceitando sugestões dos meus leitores, que a essa altura devem ser uns 2 ou 3...)
- "O homem e seus símbolos", C.G. Jung
- "Carl Gustav Jung, uma biografia", Frank McLynn
- "A arqueologia do saber", Michel Foucault
- "Introdução à Psicologia do Ser", Abraham Maslow
- "A Condição Humana", Hanna Arendt
- "Édipo", J.D.Nasio
- "Realismo e Existencialismo", Georg Lukács
- "O Crepúsculo dos Ídolos", Nietzsche
- "O Cemitério de Praga", Umberto Eco (presente de Natal de 2011 que ainda nem abri!!!)
E agora, vocês me dão licença mas eu vou ler um pouquinho ali e depois eu volto! Boa leitura a todos!!
sábado, 28 de janeiro de 2012
Eu Lírico
Eu e os outros
Eu não sou eu nem sou outro
Sou uma forma de intermezzo
Me encontro ali, na fronteira
Entre o que me e próprio
Se é que algo
E o resultado das minhas experiências
do vivido
do sentido
do lembrado
do herdado
Parodiando o poeta
Tenho duas mãos (que são minhas)
e o sentimento do mundo
que esta em mim
sou eu
E os outros?
São os outros e só.
Eu não sou eu nem sou outro
Sou uma forma de intermezzo
Me encontro ali, na fronteira
Entre o que me e próprio
Se é que algo
E o resultado das minhas experiências
do vivido
do sentido
do lembrado
do herdado
Parodiando o poeta
Tenho duas mãos (que são minhas)
e o sentimento do mundo
que esta em mim
sou eu
E os outros?
São os outros e só.
Achei essa tentativa de poesia no meu caderno do segundo período, parte de uma atividade que fizemos na aula de Psicologia Social 1. Fomos convidados a produzir qualquer forma de trabalho artístico, fosse desenho, poesia, texto, etc. Como meu instrumento de escolha é sempre a palavra, acabou saindo esse poemito.
Na aula em questão discutíamos as idéias de Walter Benjamin apresentadas no ensaio "A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica", na minha opinião um dos melhores textos deste semestre. Vamos comentar sobre esse ensaio e a disciplina de Psi Social em outro post, por enquanto fica meu poema e a sua inspiração, uma canção da linda Adriana Calcanhoto, por sua vez inspirada em um poema de Mário de Sá Carneiro, um dos heterônimos do grande poeta Fernando Pessoa (meu favorito). Como dizia o Benjamin, em uma era em que nada se cria e tudo se copia, vamos pelo menos divulgar as inspirações, não é?
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Retornando às atividades...
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Poster da Etsy Shop ( www.etsy.com ) |
Pra começar o ano, vamos logo deixar bem claras as regras da casa! E então, retomamos as atividades!
Pois é, o blog foi abandonado lá em Outubro, como podem ver pelo tema da última postagem, por conta da correria da faculdade, trabalhos, provas,e as outras atividades da vida atribulada desta "blogueira to be". Sei que pra isso não tem perdão, mas começamos o ano com muito gás e muita vontade de compartilhar com todos nossas aventuras, acadêmicas ou nem tanto...
Entre as resoluções de Ano Novo (que pretendo cumprir!) estava "reativar o blog e postar pelo menos uma vez por semana", agora é cumprir o prometido! É claro, tentando produzir um conteúdo interessante, relevante e INÉDITO, coisa difícil em nossos dias de retwitt, share, etc.
Temos ainda duas semanas de férias antes do início do próximo período da universidade, acho que ainda dá tempo de fazer uma curta retrospectiva do segundo semestre. Ah, mas tem tantas outras coisas que eu quero mostrar pra vcs!!! Acho que este ano o blog vai passar por uma pequena "reformulação" de conteúdo, vou continuar postando sobre a Universidade, psi e assuntos relacionados, mas acho que diversidade nos assuntos só vai me fazer bem!!! Vamos falar bastante de moda, decór, estilo, música, ideias, tendências, enfim, todas essas coisas "mulherzinha" que eu gosto tanto, pra não fica só na nerdice...
Desafio lançado, mãos à obra! E que venha 2012! Por que afinal, não acreditamos que o mundo vai acabar, né???
domingo, 16 de outubro de 2011
Dia dos Professores
Hoje foi o Dia dos Professores, dia de homenagear todos aqueles que se esforçam para ensinar neste país. É até uma ironia falar deste dia de homenagem em um país que não valoriza a educação, onde, historicamente, a profissão de professor só é alternativa para alguns poucos que dão aulas por vocação mesmo, por que não sabem e não querem fazer outra coisa. Cada vez menos estudantes querem ser professores, por que será??? Salário indigno, péssimas condições de trabalho, e nos tempos de loucura que vivemos, até risco de vida...
Ser professor exige dedicação, preparo, horas de estudo, tempo, paciência, e, mais que tudo, amor pelo saber, vontade de contribuir para o crescimento individual dos alunos e da sociedade. Ser professor significa passar horas (muitas vezes do final de semana, em casa, sem remuneração) corrigindo trabalhos e provas, pesquisando para fazer o conteúdo mais interessante e suas aulas mais agradáveis...
Eu sou filha de professores, e quando criança adorava poder ir para a escola com a minha mãe, e ficar bem quietinha lá no fundo da sala (desde então gosto do fundão!), observando tudo, rabiscando quando eu ainda não sabia escrever, depois fazendo as minhas tarefas de escola. Adorava escrever com giz colorido no quadro verde, e quando minha mãe me pedia pra fazer a chamada da turma, era a glória!! Com certeza, muitos momentos felizes da minha infância passei dentro de uma escola, seja na sala de aula, no pátio ou na biblioteca!!
Em casa, uma das brincadeiras favoritas era "de aulinha", com minha propria lousa e caixinha de giz, uma delícia!! Eu e minha prima ficávamos horas dando aula uma pra outra, pras bonecas, pros adultos que quisessem participar da brincadeira... Nessa brincadeira, me alfabetizei com 5 anos, antes do primeiro ano escolar (minha prima é alguns anos mais velha do que eu, me ensinou as primeiras letras!), e conseguimos motivar minha babá, analfabeta, a cursar o MOBRAL (programa do governo para alfabetização de adultos da minha época), pois ela conseguiu aprender um pouquinho brincando com a gente, e lá foi, bem feliz, atrás da sua cidadania!!! Depois de crescida, vi meu pai, já quase se aposentando da advocacia e serviço público, fazer doutorado e concurso para dar aulas na Universidade. Pela pura vontade de estudar e ensinar, por amor ao saber...
Ser professora foi para mim uma escolha quase natural, óbvia. E me sinto muito sortuda de ter tido a oportunidade de crescer em um ambiente que valoriza a educação, a leitura, o amor aos livros, o respeito às ideias alheias, e sobretudo, a valorizar as diferenças...
Hoje eu estou afastada (temporariamente, que fique bem claro) da sala de aula, e tenho saudade dos meus alunos, dos meus colegas, da sala dos professores, das reuniões... Mas estou "do outro lado", estou aluna, indo atrás do meu sonho na universidade, e tendo a chance de conhecer e conviver com professores ótimos, jovens, brilhantes, motivados, que me fazem querer aprender e saber mais e mais a cada dia... Que me fazem ainda pensar: "Quero ser que nem ele(a) quando crescer!", e isso é muito bom!!!! Tenho certeza que logo estarei de volta à docência, gostaria muito de usar a minha experiência e o meu saber para contribuir na formação de outros, sejam professores ou futuros psicólogos. Este objetivo é o que me move e me dá gás pra continuar estudando, lendo, pesquisando, discutindo, aprendendo!
Ouvimos, desde o início do novo governo da Presidenta, que o Brasil está investindo na educação, que esta é a meta mais importante desta gestão. Gostaria muitíssimo de acreditar, de ver realmente investimentos em formação de professores, mais e melhores escolas, aparelhadas com tecnologia, condições para que os professores estejam sempre reciclando seu saber, aprendendo, melhorando junto com os alunos (a educação de qualidade é uma via de mão dupla, só pode ensinar que aprende também), e principalmente, a valorização dos professores. Salários dignos, incentivos, cursos... Sem alunos tendo aula em containers de aço...
A única forma de o Brasil realmente dar um salto de desenvolvimento e ser "o país do futuro" que ouvimos falar a tanto tempo é através da educação da sua população, pois é com educação que se constrói cidadania, participação ativa e mão de obra qualificada. O desenvolvimento da eduação faz com que a saúde e as condições de vida da população melhorem, faz com que todos tenham mais oportunidades de crescimento. Assim, que sabe, possamos atenuar as diferenças sociais tão gritantes no nosso país. Será que estou acreditando numa utopia?? Pode ser, todo professor é um pouco sonhador, mas prefiro acreditar que
"sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade!"
Parabéns e meu sincero MUITO OBRIGADA a todos os meus mestres, passados e atuais, e tb ao futuros, porque tenho muito chão pela frente nessa caminhada rumo à minha formação!! Acho que eu não vou deixar de ser aluna nunca, hehe!
Deixo que as palavras do grande Mestre Paulo Freire, que muito ensinou a todos nós, falem por mim:
Deixo que as palavras do grande Mestre Paulo Freire, que muito ensinou a todos nós, falem por mim:
"Ninguém nega o valor da educação, e que um bom professor é imprescindível. Mas ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho. A data é um convite para que todos, pais, alunos, sociedade, repensemos nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que queremos. Aos professores fica o convite para que não se descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem "águias", e não apenas "galinhas". Pois se a educação sozinho não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda." Paulo Freire
Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.
Cora Coralina
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
O mito de Eco e Narciso
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Eco e Narciso |
Eco era uma linda ninfa que amava os bosques e as montanhas. Era a
favorita de Diana (Deméter), ajudando-a nas caçadas. Mas Eco tinha um defeito:
gostava muito de falar, e fosse uma conversa ou um debate, tinha sempre a última palavra.
Certa vez, Juno (Hera) estava procurando o marido, e tinha razões para
suspeitar que ele estivesse se divertindo com as ninfas. Eco, com sua conversa,
conseguiu deter a deusa por algum tempo, até que as ninfas pudessem escapar.
Quando Juno descobriu o que se dera, sentenciou Eco com as seguintes palavras:
“Confiscarei o uso de tua língua, essa com a qual me entretiveste, exceto para
um único propósito de que tanto gostas: o de responder. Terás ainda a última palavra, mas não terás o poder de iniciar uma
conversa.”.
Essa ninfa viu Narciso, um belíssimo rapaz que caçava sobre as
montanhas. Apaixonou-se por ele e seguiu seus passos. Oh, como ela desejou
abordá-lo com os ditos mais suaves para conquistar-lhe a atenção! Mas estava
impotente para fazê-lo. Esperou com impaciência até que ele falasse primeiro, e
já tinha sua resposta pronta. Certo dia, o jovem, estando separado de seus
companheiros, gritou alto: “Há alguém aqui?” Eco respondeu: “Aqui!”. Narciso
olhou ao redor, mas não vendo viva alma, bradou: “Vem!” Eco respondeu: “Vem!”.
Como ninguém veio, Narciso chamou novamente: “Por que me evitas?” e Eco lançou
a mesma pergunta. “Vamos nos juntar”, disse o jovem. A donzela respondeu com
todo o seu coração, usando as mesmas palavras, e correu ao encontro de Narciso,
pronta para abraça-lo. “Tira tuas mãos de mim! Eu preferiria morrer a ser teu”,
disse ele, recuando. Depois disso, ela foi esconder sua vergonha no retiro do
bosque. Daquele tempo em diante viveu nas cavernas e nas encostas das
montanhas. Seu corpo definhou em virtude da tristeza, até que afinal as suas
carnes desapareceram. Seus ossos tornaram-se pedras e nada restou de si, exceto
a voz. E é assim que ela continua pronta para responder a qualquer pessoa que a
chame, mantendo o seu velho hábito de ter sempre a última palavra.
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"Narciso", de Caravaggio |
A crueldade de Narciso nesse caso não foi um ato isolado. Ele rejeitou
todas as demais ninfas, tal como havia feito com a pobre Eco. Um dia, uma
donzela que tinha em vão procurado atrai-lo proferiu uma prece em que pedia que
alguma vez Narciso sentisse o que é amar
sem ser correspondido. A deusa da vingança, Nêmesis, ouviu a prece e
consentiu que o pedido se realizasse.
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Releitura de Caravaggio, by Vik Muniz |
Havia uma fonte cristalina, da qual jorrava água prateada, para a qual
os pastores jamais levavam seus rebanhos, nem os cabritos montanheses
frequentavam, nem qualquer outro animal da floresta; a relva crescia renovada
ao redor, e as rochas abrigavam-na da luz solar. Para aquele lugar veio Narciso
certa vez, cansado da caça, sentindo grande calor e sede. Inclinou-se para
beber, e viu sua própria imagem na água.
Pensou que se tratasse de algum lindo espírito das águas que residia na fonte.
Fixou o seu olhar naqueles olhos brilhantes, naqueles cabelos cacheados como os
de Baco ou Apolo, o rosto bem formado, o pescoço de marfim, os lábios abertos,
e o viço da saúde e os sinais da prática dos esportes em toda parte. Apaixonou-se por aquela imagem, que era a
imagem de si mesmo. Aproximou seus lábios dos lábios da imagem, mergulhou
seus braços para envolver o seu amado. Contudo, a imagem se desfez com o toque,
voltando a se formar depois de um momento, renovando o estado de fascinação do
rapaz. Narciso ficou totalmente fora de si; não mais pensou em alimento ou
repouso enquanto se debruçava sobre a fonte, olhando fixamente para a própria
imagem. E assim falava ao suposto espírito: “Por que me rejeitas, ser
maravilhoso? Certamente minha face não te causa repugnância. As ninfas me amam,
e tudo mesmo não pareces estar indiferente a meu respeito. Quando estendo meus
braços fazes o mesmo, e sorris quanto sorrio para ti.” Suas lágrimas caíram na
água e distorceram a imagem. Quando via que o reflexo ia desaparecendo,
exclamava: “Fica, eu te imploro! Deixa-me ao menos manter os meus olhos sobre
ti, se não posso tocar-te!”. Com frases como essa e com muitas outras alimentou a chama que o consumiu, e aos
poucos ele perdeu a sua cor, seu vigor, e a beleza que anteriormente encantara
a ninfa Eco. Esta, todavia, manteve-se próxima a Narciso, e quando ele
exclamava “Ai de mim! Ai de mim!”, ela respondia com as mesmas palavras.
Narciso definhou e morreu, e quando a sua sombra passou pelo rio Estige, rumo
ao Hades, debruçou-se sobre o barco para ver a sua imagem refletida no espelho
das águas uma última vez. As ninfas choraram por Narciso, especialmente as
ninfas das águas, e quando batiam em seu peito, Eco também batia no seu. Elas
prepararam uma pira funerária e teriam cremado o corpo de Narciso, mas este não
pôde ser encontrado. Em seu lugar, foi encontrada uma flor, púrpura por dentro, rodeada de folhas brancas, que recebeu o
nome e preserva a memória de Narciso.
Referência Bibliográfica:
Bulfinch, Thomas, 1796-1867 - “Bufinch’s Mythology”: texto integral, tradução Luciano Alves
Meira. São Paulo: Martin Claret, 2006.
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